18 de novembro de 2017

"A aliança já aconteceu" por Érico Firmo

Eunício Oliveira, Camilo Santana e o prefeito Roberto Cláudio momentos antes do ato “Juntos por Fortaleza”, no Palácio da Abolição (Foto – Cláudio Barata)
Quando Cid Gomes (PDT) falou pela primeira vez sobre a possibilidade de seu grupo retomar aliança com Eunício Oliveira (PMDB), deu a senha de como isso poderia acontecer: “Não vou dizer que sim nem que não, mas se tiver de acontecer, eu acho que essa coisa tem de ser conversada e tem de ser construída. Como é que um dia desses aí a gente estava falando uma coisa e no dia seguinte a gente muda completamente de opinião? Eu acho que não pode ser assim, tem de haver aí um processo de compartilhamento de informações”. A frase foi publicada no O POVO de 18 de setembro. Ontem, foi oferecido um dos sinais mais contundentes de que isto já está em curso. A construção está a todo vapor.

OS RESULTADOS ATÉ AQUI

Quer ver o quanto avançou a construção da aliança? Veja esta foto:


Foi em 7 de março deste ano. Naquele dia, Eunício recebeu Camilo pela primeira vez em audiência no Senado. Foi o primeiro encontro entre os dois desde o "quiprocó" que marcou a eleição de 2014.

Agora, veja esta outra foto, de ontem:


Entendeu o que mudou em oito meses na relação entre senador e governador? Percebeu o resultado da construção de que fala Cid?

PASSADO E PRESENTE

Para relembrar o que um e outro diziam até outro dia:

“É uma contradição muito grande, Eunício, porque até quatro meses atrás você dizia que esse era o melhor governo do mundo, dizia que o Cid era o melhor governador da história deste Estado. Como é que se muda? Que contradição é essa?”, disse Camilo em debate na campanha de 2014, ao questionar a crítica do peemedebista ao então governador, a quem apoiara até meses antes.

“Não fui escolhido porque eu não seria dócil o suficiente como você, para cumprir ordens de um chefe que vai continuar chefiando o governo”, respondia Eunício.

“Não sou candidato para falar mentira”, foi outra declaração do hoje governador na campanha de 2014, dirigida ao neoaliado.

“O Ceará está abandonado e nossa meta é salvar o Estado deste colapso generalizado”, disse Eunício em 2016, já com o governo Camilo pela metade.

Hoje, Eunício praticamente já aderiu ao “colapso generalizado” de que falava no ano passado. Ano passado.

NÃO VAI REJEITAR

Se houve críticas entre Camilo e Eunício, a coisa foi ainda mais quente entre ele e os Ferreira Gomes. Veja o que Ciro Gomes (PDT) dizia em 2014:

“O que está em jogo é entregar o governo a um aventureiro, lambanceiro e mentiroso. Não podemos entregar o governo a alguém que quer usar o espaço para enriquecer ainda mais. Daquele outro lado tem uma mistura de Pinóquio com Irmão Metralha. Um Pinotralha”. Ciro se referia a Eunício.

Mesmo com essa opinião sobre o peemedebista, o grupo topa a aliança? Cid Gomes, no mesmo discurso em setembro, explicou sua visão de pragmatismo.

“Apoio a gente sabe que a gente tem de receber de todo o mundo. Não quer dizer que a gente vai se comprometer ou sair daquilo que é nossa linha, nosso projeto, nosso pensamento. Mas, se uma pessoa quer apoiar a gente, por que faz sentido você recusar apoio?”

Mesmo que o apoio venha de alguém que o irmão chamou de “Pinotralha”. O que Cid não diz é que, para além de receber, o acordo pressupõe contrapartida: apoio para Eunício ser reeleito senador.

No começo deste ano, Ciro afirmou: “Vergonha a maioria dos senadores elegerem uma figura destas para a presidência (do Senado). Prova de que há uma maioria de corruptos dominando nosso País”. Se essa é a opinião dele, vale lembrar que, para virar presidente do Senado, antes Eunício teve de virar senador. Conseguiu isso em 2010 com voto dos Ferreira Gomes. Pode conseguir de novo em 2018, da mesma maneira.

Publicado originalmente no portal O Povo Online