7 de novembro de 2017

Líderes políticos tentam eleger filhos no Ceará

Rodrigo Prando, cientista político da Mackenzie, avalia que essas ações remontam à base tradicionalista e patriarcal da política brasileira (Foto: Divulgação)
Mantendo “tradição” histórica no Estado, três das principais lideranças políticas do Ceará foram buscar em casa os sucessores de seus legados eleitorais. Nos últimos dias, o presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB), tem comunicado a aliados que irá lançar o filho, o engenheiro civil Rodrigo Oliveira, candidato a deputado federal no próximo ano.

Além dele, também estão no páreo o secretário da Regional VI de Fortaleza, Antônio José Albuquerque (PP), e o secretário de Desenvolvimento Econômico da Capital, Mosiah Torgan (DEM). O primeiro é filho do presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT), e o segundo do ex-deputado federal e hoje vice-prefeito de Fortaleza, Moroni Torgan (DEM).

Duradoura no Estado, a prática de pais “passando o bastão” para filhos não é exclusiva do Ceará e remonta à base tradicionalista e patriarcal da política brasileira. É o que avalia o cientista político Rodrigo Prando, da Mackenzie. “As decisões políticas ainda estão muito centradas nos homens mais velhos, basta ver o Congresso”.

“Em sociedades onde a dinâmica econômica depende menos do mercado e mais da força e presença do Estado, acabam centralizando muito o poder figuras como a dos prefeitos, deputados, senadores”, avalia o pesquisador.

“Então você acaba tendo famílias formando verdadeiros clãs políticos, que se perpetuam no poder através de uma política tradicionalista, patriarcal e muitas vezes patrimonialista”, diz Prando.

Como o anúncio aberto das candidaturas poderia despertar tensões entre aliados e até a atenção da Justiça, articulações pelas candidaturas ainda seguem restritas aos bastidores, mas com a proximidade do ano eleitoral, tradicionais lideranças do Estado já caíram na estrada acompanhados de seus sucessores políticos.

Nas últimas semanas, por exemplo, o deputado Agenor Neto (PMDB) tem percorrido diversos municípios do Sertão Central com o filho, o pré-candidato Ilo Neto. Já Antônio José Albuquerque tem, aos fins de semana, participado da entrega de ações de prefeitos aliados e se reunido com o pai e lideranças políticas do Interior.

Apesar de os herdeiros serem quase sempre jovens, Rodrigo Prando destaca que isso nem sempre representa “renovação”.

“Colocar alguém novo, mas indicado pelo pai para seguir os mesmos passos dele, não representa renovação, mas simplesmente uma continuidade mascarada” afirma.

Nesta empreitada, por mérito próprio, tem se destacado o ex-prefeito de Brejo Santo, Guilherme Landim, que deve disputar vaga aberta com o falecimento prematuro de seu pai, o ex-deputado Wellington Landim.

Confiram alguns dos “Herdeiros” notórios:

Bruno Gonçalves: O deputado estadual é filho do prefeito de Eusébio, Acilon Gonçalves.

Domingos Neto: Filho do ex-deputado Domingos Filho, foi o mais votado na 1ª eleição, em 2010.

Fernanda Pessoa: Filha do vice-prefeito de Maracanaú e líder da atual oposição no estado Roberto Pessoa.

Gony Arruda: É herdeiro político de Esmerino Arruda em um dos mais tradicionais grupos políticos do Estado.

Ilo Neto: É filho do deputado estadual e ex-prefeito de Iguatu, Agenor Neto, pode sair candidato em dobradinha com o pai.

Iraguassú Filho: Até a última eleição o decano da Câmara Municipal, o ex-vereador Iraguassú Teixeira “passou bastão” ao filho.

Pedro Geromel: Filho do prefeito de Juazeiro do Norte, Arnon Bezerra, deve disputar vaga na Câmara Federal.

Renan Colares: O ex-secretário e hoje vereador de Fortaleza é filho do deputado estadual Fernando Hugo, do PP.

Sérgio Aguiar: O atual deputado estadual ocupa cadeira que o pai, o ex-conselheiro do TCM Chico Aguiar, ocupou na Casa.

Com informações portal O Povo Online