20 de novembro de 2017

Em congresso do PCdoB Lula afirma que não é difícil ganhar eleições de 2018

Lula e Manuela no Congresso do PCdoB (Foto: Richard Silva) 
O ex-presidente Lula disse ontem (19/11) que “não vai ser difícil” ganhar a eleição presidencial de 2018, mas defendeu mudança de estratégia dos partidos de oposição para barrar as propostas do governo Temer no Congresso. Durante o 14º Congresso do PCdoB, em Brasília, ele avaliou que a esquerda está “fragilizada”, pois não conseguiu impedir o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a aprovação de propostas como a reforma trabalhista.

Lula compareceu ao evento da legenda historicamente aliada após a pré-candidatura da deputada gaúcha Manuela D’Ávila à Presidência da República ter sido lançada.

O petista afirmou que isto “não deixa rusgas” na relação do PT com o PCdoB. Esta é a primeira vez, desde 1989, que as siglas podem disputar a presidência separadas. “Qualquer partido de esquerda pode lançar candidatura para a eleição, mas é preciso ir junto para a rua”, destacou.

O petista considerou legítimo que outros partidos também lancem candidatos, inclusive um de seus principais adversários, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). “Não podem dizer que Lula é de extrema esquerda, que Bolsonaro é de extrema direita, e que é preciso achar o caminho do meio. Quem convive com Bolsonaro sabe quem ele é, que é mais do que extrema direita, mas ele também tem direito de ser candidato.”

Em um discurso de 40 minutos, o ex-presidente atacou eventual candidatura do tucano Geraldo Alckmin como representação do “centro” e voltou a criticar o senador Aécio Neves (PSDB-MG). “A urna não pode receber ordem, tem que receber voto. O seu Aécio, que plantou vento, está colhendo tempestade. Então, companheiros, temos muita coisa para fazer. Eu, inclusive, acho que não é difícil ganhar essas eleições, não é difícil”.

Na avaliação do ex-presidente, o governo Temer é “fraco”, mas tem apoio da maioria do Congresso. “Nunca vi tanto deputado reacionário, tanto troglodita, e se não tomarmos cuidado vai piorar na próxima eleição”, disse. Um militante da plateia gritou que solução seria “pegar em armas”, e ele respondeu, rindo, que era melhor “nem falar isso”. “Eu não sei usar (armas).”

Lula voltou a desafiar os procuradores e o juiz federal Sergio Moro “a provar um real de sua vida que não seja legal”. Para Lula, os investigadores inventaram mentiras sobre ele, e agora “não conseguem mais sair”. 

“Se tem político com rabo preso por causa do que a Operação Lava Jato está fazendo, eu não tenho rabo para prender. Não estou acima da lei, só quero respeito”, disse. “Quando a polícia entra na casa de alguém, adora mostrar dinheiro, joia, mas quando entra na minha e dos meus quatro filhos, revira tudo, levanta colchão, e não encontra nada, esses sacanas deveriam ter coragem de chamar a imprensa e dizer que na casa do Lula não tinha nada”, afirmou.

No discurso, Lula disse que, se não fosse pela sua teimosia e a do PT, não teria chegado à Presidência da República. E que provou que era possível a esquerda transformar este País, citando melhorias em salário, educação e na própria inserção do Brasil no exterior.

Lula disse ainda não possuir os R$ 24 milhões que a Procuradoria da República pretende bloquear. Em pedido à Justiça, no âmbito da Operação Zelotes, os procuradores pediram para confiscar R$ 21,4 mi em bens do petista e mais R$ 2,5 mi de seu filho, Luiz Cláudio.

Com informações portal O Povo Online