10 de novembro de 2017

Destituído, Tasso acusa Aécio de ceder à pressão de Temer

Em meio a pressões da ala governista do partido tucano, Aécio Neves (MG) destitui Tasso Jereissati do cargo de presidente interino do PSDB na tarde de ontem. O caso agrava e expõe, ainda mais, a crise que vive a sigla desde a denúncia envolvendo o senador mineiro em caso de corrupção, em maio.

Aécio alega que a decisão é para garantir a “isonomia” entre os candidatos que disputarão o comando da sigla, em dezembro. Usando do estatuto da legenda, ele indicou para o cargo o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman, que é o mais velho entre os vice-presidentes da sigla.

Tasso defende que o partido deve desembarcar imediatamente do governo Michel Temer (PMDB), o que tem enfrentando resistência de Aécio e aliados, que argumentam que a saída não deve ser tão imediata.

Diante do impasse, ganha força a tese de se buscar um terceiro nome de consenso para presidir o PSDB.

Em entrevista coletiva, Tasso afirmou que a atitude, na verdade, expõe a insatisfação de Aécio com a candidatura do senador cearense à presidência da sigla. “Temos hoje diferenças muito profundas. São diferenças conhecidas, desde o comportamento político, comportamento ético, visão de governo, fisiologismo deste governo”, detalha.

Tasso relatou que o mineiro o procurou para que ele entregasse o cargo, o que foi recusado. “Eu preferia que ele me afastasse do que eu mesmo pedir (afastamento), para ficarem bem nítidas as diferenças”, diz.

O senador cearense disse ainda que o Palácio do Planalto influenciou no ato de Aécio, que alegou sofrer “pressão”, sem detalhar de quem.

Para jornalistas, o senador Aécio Neves disse que a decisão foi “absolutamente legítima”, “natural” e “necessária”. “Temos dois grandes nomes disputando a presidência, e agora Goldman conduzirá esse pleito com a isenção necessária.”, disse.

Internamente, a decisão de Aécio provocou reações em quadros considerados fundamentais na sigla. Segundo interlocutores do senador cearense, Tasso conversou por telefone com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que teria demonstrado “perplexidade”.

O ex-presidente interino recebeu telefonemas de tucanos de vários Estados, entre eles Geraldo Alckmin. “Eu não fui consultado. E, se fosse, teria sido contra, porque não contribui para a união do partido”, disse o governador paulista em nota.

Ligado a Aécio, o deputado federal Marcus Pestana (MG) usou a tribuna da Câmara para defender a decisão do senador mineiro. Ele afirmou que o partido vive uma “autofagia” em público e que Tasso foi presidente apenas de uma facção na legenda. Adversário de Tasso na disputa pela liderança do partido, Perillo disse que seria “antiético” se não houvesse a destituição de Tasso.

Com informações portal O Povo Online