21 de novembro de 2017

Líderes petistas apresentam condicionantes para a aliança com Eunício

Possível aliança entre o governador Camilo Santana (PT) e o presidente do Senado Eunício Oliveira (PMDB) já é admitida por petistas, mesmo pelos que compõem ala considerada mais radical do partido. 

O acordo, porém, estaria condicionado a uma mudança de lado de Eunício por meio de um mea culpa ou de comprometimento com a revogação das medidas aprovadas pelo governo Michel Temer (PMDB), além do apoio a Lula à Presidência.

O principal impedimento ao palanque PT-PMDB foi o apoio da legenda de Eunício ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), chamado pelos petistas de “golpe”, além de projetos de Temer aprovados no Congresso classificados como “retirada de direitos”.

Um dos nomes da sigla no Ceará mais críticos à composição, o vereador Guilherme Sampaio afirmou que “se ele (Eunício) fizer um mea culpa, disser que se arrependeu”, a aliança pode ser discutida. Ele não havia, antes, considerado um condicionante ao acordo.

“Não faz sentido agora nós compormos uma aliança estratégica da chapa majoritária com ele só por tática eleitoral. Isso não ajuda a recuperar a credibilidade do PT e, salvo um reconhecimento público do Eunício de que cometeu um erro e quer reparar, não tem nenhuma lógica política”, ponderou. Ele esclareceu que o PT não tem discutido esse assunto oficialmente e que “nem o próprio governador admitiu isso publicamente” e voltou a cobrar “clareza” da legenda.

Militante do PT no grupo da deputada Luizianne Lins e primeiro-suplente de Eunício, Waldemir Catanho disse que a revogação das políticas de Temer e a eleição de Lula são a prioridade da sigla. “Vamos estar juntos de quem estiver comprometido com esse projeto do PT, mesmo que eventualmente tenha sido considerado golpista”.

Ele destacou, porém, que é contrário à aliança porque o senador Eunício ajudou a aprovar as medidas de Temer. “Acho muito difícil que ele venha a se comprometer em desmanchar tudo que ajudou a fazer”, explicou.

Quem também admite composição é a deputada estadual Rachel Marques. “Nós temos dois focos bem definidos: a eleição de Lula e reeleição de Camilo Santana. Em cima disso, os apoios a essa estratégia serão bem-vindos”, disse.

O presidente estadual do PT De Assis Diniz preferiu não comentar possibilidade de aliança, admitida pelo senador no evento “Juntos por Fortaleza”, na última sexta-feira, 17, em que ele esteve ao lado de Camilo. 

Ele disse que isso será discutido em dezembro em reunião do diretório nacional. Postura é a mesma adotada pelo deputado federal José Guimarães.

Quem adotou discurso firme contrário ao palanque unido foi o ex-vereador Deodato Ramalho. “Me parece deseducativo à sociedade, passa uma ideia de que não conseguimos evoluir politicamente”, avaliou. 

Já o vereador Acrísio Sena disse que sua posição é a mesma aprovada em congresso nacional do PT, em julho, quando sigla decidiu não se aliar com “golpistas”.

Com informações portal O Povo Online