6 de novembro de 2017

FHC volta a defender saída dos tucanos do governo

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso defendeu que o PSDB faça “mea culpa” e desembarque do governo do Michel Temer (PMDB) para não se tornar “coadjuvante” nas eleições do próximo ano. 

Declaração fortalece tese do senador Tasso Jereissati, presidente interino da sigla, e vai de encontro com posição do também senador Aécio Neves, licenciado do comando tucano.

Segundo FHC, o apoio inicial dado a Temer foi necessário durante a transição política, mas, agora, partido precisa tomar uma decisão. 

“Ou o PSDB desembarca do governo na convenção de dezembro e reafirma que continuará votando pelas reformas ou sua confusão com o peemedebismo dominante o tornará coadjuvante na briga sucessória” , afirmou em artigo publicado ontem (05/11) nos jornais “O Globo” e “O Estado de São Paulo”.

Defendendo que a legenda “passe a limpo o passado recente”, o presidente de honra do PSDB relembrou de propaganda do partido transmitida na televisão e no rádio em agosto deste ano que defendia autocrítica. Na época, Tasso assumiu responsabilidade e disse que “não se arrependia de nada”, frente a críticas de ala governista.

Tasso já sinalizou que deve se candidatar à presidência do partido em convenção marcada para dezembro. O governador de Goiás, Marconi Perillo também é candidato.

FHC, porém, evita se aliar diretamente ao grupo de Tasso, conhecido como “cabeças pretas”, e defende a unidade do partido, dividido sobre permanência do partido no governo. “É hora também de juntar as facções internas e centrar fogo nos adversários externos”, disse. “Os cabelos não precisam ser tingidos, mas a alma deve ser nova, para que a coligação que formar ganhe credibilidade e possa virar a página dos desastres recentes”.

Discurso de Fernando Henrique, porém, reitera fala repetida em diversas ocasiões por Tasso, o que irritou o próprio Temer e tucanos governistas. O deputado federal Eduardo Barbosa (PSDB-MG) acredita que declaração fortalece Tasso porque “tem tudo a ver com o que ele dizia”.

O deputado desconversou, porém, quando questionado se artigo incomodou grupo dos cabeças brancas. “Eu acho que (o texto) traz uma perspectiva de unidade, foi muito bom, muito positivo. Teve gente dessa ala que elogiou”, disse.

O deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG), que é aecista e fez diversas críticas às posições de Tasso, elogiou o artigo. “O Fernando Henrique é nossa principal referência. O importante foi o chamado dele à unidade e renovação das práticas do PSDB”, disse.

Ele discorda, porém, que declaração vá em encontro com posição do cearense. “O conteúdo não é a tradução exatamente da visão do Tasso. Nosso problema não era fazer autocrítica, o que eu verbalizei era que se fizesse uma autocrítica bem feita, o que não aconteceu com o Tasso”.

O presidente Michel Temer demonstrou irritação com o artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e atribuiu as ações do tucano apenas a interesses eleitorais, com o objetivo de derrotar o PMDB na disputa de 2018.

Em conversas reservadas, o presidente não escondeu a mágoa com FHC e avaliou que ele está pressionando correligionários para que o PSDB deixe o 1º escalão em dezembro, quando o partido renova direção.

Temer se reuniu neste domingo, no Palácio do Jaburu, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e com os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Antonio Imbassahy (Governo), além dos deputados Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Baleia Rossi (PMDB-SP). 

A discussão girou em torno da “agenda positiva” que o governo quer aprovar na Câmara, nos próximos dias, como o pacote de segurança pública e as medidas de ajuste fiscal. Para tanto, porém, precisa do apoio dos tucanos.

Até agora, o pilar de sustentação de Temer no PSDB é o senador Aécio Neves (MG), que está licenciado do comando do partido. Foi por esse motivo que o presidente ajudou Aécio na busca de votos para salvar o seu mandato no Senado. Se dependesse do senador Tasso Jereissati (CE), presidente interino do PSDB, a sigla já teria devolvido os quatro ministérios que comanda.

Com informações portal O Povo Online