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| Delcy Rodrigues assumiu interinamente a Presidência da Venezuela (Foto: Juan Barreto) |
A crise na Venezuela, é preciso dizer, prolonga-se muito além do que parece suportável para qualquer país. Fruto, basicamente, do comportamento de um grupo que, liderado hoje por Maduro, sucessor de Hugo Chávez, decidiu se perpetuar no poder e resiste à convivência com o que há de mais saudável numa democracia, que é a alternância de poder.
A comunidade internacional, em geral, age de maneira acertada diante do problema ao priorizar instrumentos diplomáticos e econômicos para pressionar o governo venezuelano a ajustar seu processo democrático. É evidente que o problema exige pressa devido ao sofrimento que tem sido imposto a uma população que hoje enfrenta um quadro de diáspora, com estimativas de que 7,7 milhões de venezuelanos tenham deixado o país nos últimos anos.
A opção do governo de Donald Trump ignora pontos importantes da soberania da Venezuela, independente das dúvidas justificadas que se tenha hoje quanto à democracia que ali é praticada. O mundo entra numa fase perigosa do equilíbrio geopolítico global quando instrumentos multilaterais criados para viabilizá-lo, sendo mais evidente no caso a Organização das Nações Unidas (ONU), são ignorados pelos países, valendo-se das forças econômicas ou do poderio militar, para ações multilaterais que não respeitam fronteiras ou limites.
O quadro justifica plenamente a tensão que toma de conta do mundo desde quando a notícia passou a circular. Ainda mais depois que o presidente Trump, ao detalhar a operação e deixar clara a intenção motivadora objetiva de assumir o controle da área de petróleo venezuelana, através de empresas dos Estados Unidos, e, numa etapa inicial que previu durar pelo menos um ano, fazer uma espécie de intervenção no governo de Caracas. Num contexto em que, na verdade, há razões para colocar em xeque a legalidade da própria prisão do presidente de um outro país, na maneira como ocorreu.
Um cenário delicado que exige do Brasil um posicionamento cuidadoso, considerando que se trata de um país vizinho, com o qual mantemos uma fronteira extensa e não há razão para trazermos a tensão para dentro do nosso território. As manifestações de até agora, inclusive do presidente Lula, apresentam esse cuidado e colocam os elementos democráticos e institucionais entre as preocupações que devem ser consideradas no esforço de encontrar uma saída para a crise.
Há
dias difíceis pela frente e o comportamento dos governantes será fundamental
para encontrarmos um meio de acalmar a comunidade internacional, proteger o
interesse do Brasil e, no que é fundamental, devolver a tranquilidade ao povo
venezuelano, que já sofreu o suficiente pelos efeitos da incapacidade global de
fazer o diálogo prevalecer.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
Leia também:
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