31 de outubro de 2018

PT aponta Haddad como articulador de frente democrática

Paulo Pimenta, Gleisi Hoffmann e Guimarães em entrevista coletiva (Foto:  Paulo Pinto)
Em reunião em São Paulo ontem (30/10), o Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu designar Fernando Haddad, candidato derrotado no pleito do último domingo, a tarefa de articular uma frente democrática que aglutine as forças partidárias que se opõem ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Com 45% dos votos na disputa contra o militar da reserva, Haddad havia anunciado que voltaria a dar aulas. O PT, todavia, tenta convencê-lo a liderar um movimento de oposição.

A reunião petista se deu no mesmo dia em que lideranças de PDT, PCdoB e PSB se reuniram para discutir a formação de um bloco.

Presidente nacional da legenda, a deputada federal eleita Gleisi Hoffmann afirmou em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira que o "PT dará todas as condições para que Fernando Haddad possa exercer esse papel de articulador junto com outras lideranças sociais para consolidar essa frente de resistência".

Um dia antes, nas redes sociais, o ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) admitiu indiretamente que tentaria liderar a oposição a Bolsonaro.

Terceiro colocado na corrida ao Planalto, Ciro afirmou que "a oposição que nasce não se confunde com forças que só defendem a democracia ao sabor de seus interesses mesquinhos ou crescentemente inescrupulosos ou mesmo despudoradamente criminosos".

O movimento de Ciro tem dois propósitos: um, reorganizar legendas como o PSB e PCdoB em torno de um projeto oposicionista cujo centro não seja o PT. O outro é conseguir musculatura e agrupar apoios para sustentar a plataforma para a eleição de 2022.

De acordo com o Gleisi, no entanto, é Haddad e não Ciro quem deve encabeçar esse processo. O papel do ex-prefeito de São Paulo, disse a petista, "é maior do que o governo".

Segundo ela, o ex-presidenciável, que recebeu 47 milhões de votos, "sai depositário da esperança e da luta pela democracia".

Um dos coordenadores da campanha de Haddad no Ceará e deputado federal eleito, José Guimarães (PT) avalia que o petista "é hoje a principal liderança política do País".

"Haddad saiu de 4% no primeiro turno e chegou a 45% no segundo", recorda o parlamentar. "Não é porque o PT está decretando (a liderança). As urnas delegaram a ele o papel de líder."

Conforme Guimarães, no entanto, o PT vai procurar todas as siglas, inclusive PDT. "O momento é de recompor", completa.

Com informações portal O Povo Online