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| Batizado de PluviNet, o equipamento funciona como um pluviômetro de baixo custo (Foto: Isaac dos Santos) |
Uma parceria entre professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará (IFCE) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) em Quixadá busca qualificar a coleta de dados de chuva no interior do Estado. Batizado de PluviNet, o equipamento funciona como um pluviômetro de baixo custo que poderá medir a quantidade de chuvas em propriedades rurais específicas.
A iniciativa está em fase de testes e visa complementar os dados coletados atualmente pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), que informa a quantidade de chuvas por município.
O professor Gustavo Coutinho, um dos idealizadores do projeto, explica que a ideia surgiu a partir da experiência do pai, voluntário da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), que fazia diariamente a conferência manual do pluviômetro próximo à localidade onde moravam e informava a equipe técnica do órgão
"Eu pensei 'não tem um jeito mais fácil, automatizado e barato e fazer essa medição? Em pleno 2025-206?'. Aí a gente teve a ideia de fazer esse pluviômetro impresso em 3D e com componentes eletrônicos de fácil acesso", conta o docente da área de Desenvolvimento de Software e Inteligência Artifical.
O custo para a produção de cada unidade do PluviNet é estimado entre R$ 200 e R$ 300. Com boa parte de sua estrutura podendo ser feita em uma impressora 3D, os itens são comprados.
A carcaça possui uma grade de proteção que simula o funil de pluviômetros comuns para evitar a entrada de resíduos sólidos. Toda vez que a água cai dentro de uma estação PluviNet, ela aciona uma balança previamente programada para calcular o nível de chuva que caiu ali.
"Um
ímã acoplado a essa balança vai passando no sensor dos componentes internos.
Toda vez que esse sensor lê a passagem do imã, ele contabiliza uma quantidade
de chuva. Pode ser meio milímetro, um milímetro... a gente quem faz esse
ajuste", acrescenta Coutinho.
Usuários
poderão consultar quanto choveu via Whatsapp
Os dados coletados pelo PluviNet são enviados por meio de tecnologia LoRaWAN para um servidor interno do projeto, onde os dados ficam armazenados e podem ser consultados posteriormente através de um bot no Whatsapp.
O objetivo é faciliar a consulta dessas informações por moradores da zona rural e agricultores que tenham dificuldades em utilizar plataformas de órgãos oficiais como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Funceme.
Esse bot consegue responder questões simples desde quanto choveu em determinado dia ou mês, ou a possibilidade de chuvas em determinado mês, com base em dados de anos anteriores. As perguntas podem ser feitas em mensagem de texto ou áudio, para incluir usuários com dificuldade em digitar.
"A gente começou a pensar no acesso dessas pessoas e criamos um WhatsApp que acessa o nosso banco de dados e processa essas informações. A gente já tem essa versão beta rodando. O usuário manda um texto, diz: 'PluviNet, quanto choveu em janeiro de 2025?' Ele vai retornar dizendo a quantidade de chuva, o dia e horário que mais choveu...", explica Francisco Helder, docente do curso de Engenharia da Computação da UFC e um dos desenvolvedores do sistema.
Para instalar o PluviNet na sua propriedade, o morador deverá dispor de rede LoRaWAN, Wi-fi ou 5G, a fim de conectar o pluviômetro ao servidor.
A estimativa dos desenvolvedores é que a bateria de cada estação do PluviNet dure aproximadamente cinco anos, sem necessidade de consumo energético da residência do usuário.
"Essa bateria vai durar cinco anos ou mais. A gente usa células fotovoltaicas pequenas conectadas no dispositivo para recarregar durante o dia a bateria. Temos várias frentes de pesquisa", conclui Helder.
Pluviômetro
vai passar por testes em campo e busca investimentos para ampliação
Os resultados, até o momento, do pluviômetro foram obtidos a partir de testes controlados nos campi da UFC e do IFCE em Quixadá. Ao longo dos próximos seis meses, o projeto será experimentado em campo, nas propriedades de moradores parceiros da iniciativa.
A ideia é identificar eventuais problemas do projeto e melhorá-los a partir da experiência dos usuários. Até o momento, o desafio dos pequisadores é manter a qualidade do serviço em chuvas mais potentes.
Isso porque os teste feitas nos campi apresentaram queda na precisão dos dados à medida em que as "chuvas" ficavam mais fortes. Em simulações de 10 milímetros por hora (mm/h), o PluviNet apresentou erros em 1% dos casos.
Nas intensidades de 20 e 30 mm/h, o erro ficou em aproximadamente 3,1%, com até 16% de falhas em precipitações acima de 40 mm/h.
"Acabamos um ciclo agora e estamos fazendo seleção para novos bolsistas. Acredito que em seis meses a gente comece a fazer esse teste com mais algumas estações em algumas propriedades do Sertão Central", projeta Coutinho.
Os desenvolvedores também estão apresentado o projeto para secretarias e órgãos de Estado como a Funceme, com quem já se reuniram para discutir uma eventual parceria.
Já na fase de testes finais, os docentes têm começado a buscar recursos públicos e privados para possibilitar a difusão do PluviNet em maior escala no interior do Estado, bem como a divulgação em massa das informações coletadas.
"Toda
essa infraestrutura que fizemos é limitada pela capacidade. Nosso objetivo hoje
é conseguir fontes que financiem essa ampliação. Uma base de dados maior requer
algo mais robusto. A verba para uma infraestrutura dessa seria bem maior.
Conseguimos verbas em valor limitado da UFC e do IFCE. A ideia é a gente
conseguir órgãos ou empresas que financiem para a gente escalar", conclui
Helder.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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