23 de outubro de 2021

Quem ainda acredita em Paulo Guedes? por Vicente Nunes

Para os liberais Guedes rasgou a cartilha para entregar o que Bolsonaro queria (Foto: Marcelo Ferreira)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, se transformou em um zumbi na Esplanada dos Ministérios. Apesar de garantir, ao lado do presidente Jair Bolsonaro, que continua firme no cargo, todos sabem que ele pediu, sim, demissão, e que só não caiu porque ninguém de peso quer assumir o comando da política econômica do país no atual governo.

Se realmente estivesse forte, Guedes não precisaria que o presidente da República se deslocasse para o Ministério da Economia a fim de fazerem um pronunciamento conjunto, de apoio mútuo. Até aquele momento, o ministro estava fora do governo. Ele precisava de um suporte para não cair de podre.

Guedes se submeteu a mais uma humilhação. Além de não conseguir reverter nenhuma das gambiarras fiscais que levaram aos pedidos de demissão de quatro importantes secretários do ministério, assumiu publicamente que entrou para a ala dos fura-teto.

O vexame de Guedes ficou maior ao admitir que a ala política do governo foi até o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, procurar um substituto para ele, o ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida. A confissão veio por meio de um ato falho, ao anunciar o substituto de Bruno Funchal para a Secretaria Especial do Tesouro e Orçamento. Em vez de Esteves Colnago, Guedes disse André Esteves.

Daqui por diante, Guedes viverá na corda bamba. A ala política do governo, liderada pelo Centrão, vai encurralá-lo até ele pedir arrego. O argumento do fogo amigo já está pronto: o ministro não terá o que entregar quando as eleições começarem para valer. A economia estará no buraco, com inflação e juros em alta.

Guedes rasgou a cartilha liberal para entregar o que Bolsonaro queria, o Auxílio Brasil de R$ 400, mas, com o custo de vida nas alturas — alimentos, energia elétrica, combustíveis —, o benefício será corroído rapidamente. De nada adiantará jogar a responsabilidade fiscal no lixo.

O ministro fez suas escolhas. Jogou na mesa o pedido de demissão apostando que Bolsonaro o recusaria. E acertou no alvo. Contudo, diminuiu de uma forma tão aviltante, que virou uma peça descartável. Guedes levou 30 anos para realizar o sonho de ser ministro. Agora, é visto como o bobo da corte.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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