27 de fevereiro de 2026

A distância que separa Cid e Camilo, por Érico Firmo

Cid foi o padrinho político de Camilo (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Muito se especulava, e aliados traziam elementos, sobre a relação entre o senador Cid Gomes (PSB) e o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), não viver seus melhores dias. A situação foi verbalizada pelo senador ao correspondente do O POVO em Brasília, João Paulo Biage.

Conforme contou, sem briga, sem rompimento, mas um vínculo hoje que seria apenas político. “Não tem abalo, não tem diferença. Há muito tempo, a minha relação com o Camilo é pouco próxima, de pouca proximidade”.

Não deixa de ser significativo que Cid mencione um único aspecto político a resumir o que já foi uma vinculação abrangente, a ponto de escolhê-lo para sucessor em meio a vários pretendentes que eram mais cotados. “Nós temos, creio eu, uma coisa em comum, que é apoiar a candidatura do governador Elmano. Se ele está apoiando o Elmano, nós estamos juntos”, afirmou.

Do ponto de vista eleitoral, é mais uma sinalização de manutenção da aliança governista. Mas, conforme os indícios públicos sugeriam, se essa questão não for cuidada, poderá haver problemas para a base.

Interessante entender o que houve ao longo de 2025. Em junho passado, ao mesmo Biage, Cid falou sobre um encontro com Camilo, Elmano de Freitas (PT) e ainda o prefeito Evandro Leitão (PT) e o secretário Chagas Vieira. “Nós estamos trabalhando e penso eu que a gente deve trabalhar articulado”. E acrescentou: “Eu sempre fui de grupo”.

Na época, ele comentou que fez questionamentos quando achou que havia problemas, com muito poder concentrado no PT. “Esses rumos foram corrigidos. Enfim, então eu penso, defendo o que penso e luto pelo que penso. E na medida que o que eu penso está sendo posto em prática, eu estou junto para integrar”.

Cid Gomes e a liderança do elmanismo

Assim como há quatro anos, é grande a expectativa sobre o papel de Cid Gomes (PSB) nas próximas eleições. Em 2022, ele acabou se mantendo afastado da disputa. Neste 2026, o irmão dele, Ciro Gomes (PSDB), caminha para concorrer a governador — o que o senador aponta como provável “maior constrangimento" da vida.

Independentemente da candidatura do agora tucano — e dos movimentos de aproximação pretendidos por gente do entorno — Cid repete que tem compromisso de apoiar a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O chefe do Poder Executivo, por sua vez, disse querer Cid na coordenação da campanha. Algo que o senador afirma que fará “de corpo e alma” se assim for designado.

Mas Elmano diz que a coordenação terá também Camilo Santana (PT). Isso dá certo?

O governador negou os rumores sobre animosidade entre os dois antecessores e disse que a relação entre eles é de harmonia. Manifestou ainda total confiança no principal expoente do PSB cearense.

Porém, do que está dito publicamente, o compromisso de Cid é com Elmano. Em tese, não se estenderia no caso de uma eventual entrada do ministro da Educação como candidato.

Inclusive, partiu do antigo padrinho a manifestação mais incisiva contra a anunciada desincompatibilização de Camilo, que deverá ocorrer até o começo de abril. Para Cid, será um “fantasma” para Elmano.

Estará o senador disposto a assumir a linha de frente do elmanismo, diante do camilismo?

Publicado originalmente no portal O Povo +

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O apelo de deputados do PSB a Cid Gomes

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