1 de fevereiro de 2026

Luizianne, o PT e as brigas pelo Senado, por Guálter George

A semana  ficou marcada por sinais mais claros de disposição de Luizianne Lins  para de entrar na briga por uma vaga no Senado (Foto: Gladson Caldas)

A aliança governista precisa acelerar sua decisão quanto aos nomes que pretende apresentar como candidatos ao Senado. À medida em que o tempo passa e o assunto não se define aumentam as chances de ficarem sequelas difíceis de serem administradas para a campanha, quando ela oficialmente começar. Aliás, a tendência normal é que a demora abra espaço, até, para confusões novas.

A semana passada, por exemplo, ficou marcada por sinais mais claros de disposição para entrar na briga da deputada federal Luizianne Lins, ela que andava quieta e tinha o nome especulado em manifestações que pareciam isoladas, de aliados e aliados, dentro e fora do PT. 

O deputado estadual Renato Roseno (Psol), faz parte do grupo dos que vêm a ideia com simpatia e informa, inclusive, que pesquisas estão sendo realizadas para mostrar a viabilidade do nome e servir como instrumento de pressão para inserir a parlamentar no jogo. Claro que os números, que ainda estão sendo colhidos nas ruas, precisarão confirmar o que hoje é expectativa.

O que animou o entorno de Luizianne para engrossar mais a voz no debate interno foi a performance dela no último Paraná Pesquisas. É fato que ela até surpreende, por exemplo, aparecer em situação melhor que a do correligionário José Guimarães, que movimenta-se há anos de olho na cadeira de senador.

Acontece que quase todo mundo que participa dessas conversas, haverá uma ou outra situação isolada a considerar, tem experiência suficiente para entender que não basta performar bem nas pesquisas, especialmente quando se considera uma aliança de perfil tão diverso quanto esse que envolve os partidos e os políticos reunidos hoje em torno do grupo que governa o Ceará.

A primeira questão a ser resolvida diz respeito ao espaço que o PT pode ocupar dentro de um contexto no qual há quatro vagas disponíveis na chapa majoritária e o partido já tem reservada pra si a cabeça. Ou seja, um petista disputará o governo do Ceará, prevendo-se, inicialmente, que o atual ocupante da cadeira, Elmano de Freitas, seja o candidato. É justo, diante disso, reservar uma segunda vaga para sigla?

A movimentação de Luizianne, nesse sentido, apresenta uma característica que exige uma atenção diferenciada: sinaliza, caso necessário, para uma mudança de filiação. Seria meio chocante, mas o eleitor cearense poderia ter a parlamentar como candidata ao Senado por outra sigla que não aquela à qual seu nome esteve sempre vinculado desde o começo de sua trajetória política como vereadora por Fortaleza.

Integrante da direção nacional da Rede Sustentabilidade, Pedro Ivo, cearense que fez parte da primeira equipe de secretários de Luizianne em Fortaleza, confirma à coluna que o convite para filiação está feito, incluindo uma pré-candidatura ao Senado já acertada, caso o PT bata com a porta na cara dela.

É um caminho, mas não parece certo que seja o de preferência ou o conveniente, já que outros fundamentos precisariam ser considerados e um deles seria entender onde entraria na equação o apoio do presidente Lula, que deverá estar em campanha de reeleição à altura.

O certo é que a entrada de Luizianne Lins na conversa com um pouco mais de força indica que a decisão sobre os nomes precisa mesmo ser tomada logo no bloco governista, como já dito anteriormente. À medida em que o tempo passa, com pelo menos nove nomes ainda especulados, aumenta o risco da disputa interna acabar em briga e gerar defecções. Tudo que a oposição deseja.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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