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| Base e oposição fazem movimentos finais (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais) |
Do lado do tucano, a modelagem do bloco inclui o ex-prefeito Roberto Cláudio (União Brasil) na disputa pela vice-governadoria e o ex-deputado Capitão Wagner, também do UB, postulando cadeira no Senado. O campo oposicionista escala os nomes mais competitivos para brigar contra a formação definida pelo Abolição, cujo time ainda tem assento vazio - o da segunda vaga para senador ou senadora.
Há dois cenários sob análise, um com Luizianne Lins (Rede) fazendo dobradinha com Cid e outro com Eunício Oliveira (MDB) secundando o pessebista. A esta altura, LL parece ter avançado algumas casas para se consolidar como concorrente a senadora, quer na coligação de Elmano ou não.
Na
Rede, sua pré-campanha para a Câmara Alta foi deflagrada. Outro interessado na
dança, Eunício fez um derradeiro movimento ao anunciar a convenção do MDB para
o último dia do prazo permitido: cinco de agosto. Até lá, o emedebista tem
condições de resolver o seu futuro político - na base ou fora.
Cid
contra Ciro
Sob muitos ângulos, trata-se de uma eleição atípica no Ceará, seja pela entrada de Ciro entre os candidatos ao Governo, seja porque o mais velho dos Ferreira Gomes terá de enfrentar o irmão nas urnas - ele como desafiante ao Executivo e Cid tentando renovar sua permanência como senador. Dizer que é uma situação inédita é pouco.
As tensões, que estão acumuladas desde 2022 na esteira do racha entre PDT e PT, devem explodir agora, no curso da campanha. Era isso, aliás, que Cid pretendia evitar ao indicar Mano para pelejar pelo Senado. Por uma série de motivos, um dos quais é o desentendimento com Ciro, o ex-governador talvez preferisse se manter fora dos holofotes da disputa, mas acabou sendo arrastado para o centro do tablado.
Uma vez que aceitou compor a chapa de Camilo tendo como opositor Ciro, o senador vai se colocar numa posição na qual as questões familiares e políticas vão se embaralhar, inevitavelmente.
O
peso de Mano
Esse arranjo é uma armadilha para Cid, mas há outras. Uma delas é o peso de Mano para a reeleição do senador. E nem me refiro somente ao fato de que o parlamentar é alvo de procedimento que tramita no STF e cujas consequências são imprevistas, especialmente para a chapa.
A par de tudo que Cid já havia dito sobre as razões para não tentar mais oito anos no Congresso - e considerando-se a defesa enfática do aliado para substituí-lo -, a escolha de Mano para a primeira suplência pode se revelar um tiro no pé do próprio Cid.
De partida, o senador terá de explicar por que recuou do que tinha repetido como mantra nos últimos meses, isto é, que estava cansado e que Mano era o melhor para o Ceará.
A
missão
Afinal, o que mudou para que Cid aceitasse figurar como candidato mais uma vez depois de tantas negativas? Dizer que Lula o convenceu é tão inverossímil quanto afirmar que o presidente precisou usar seu tempo para dissuadir JM de concorrer a senador - como se tudo houvesse se decidido realmente naquela salinha onde os participantes posaram sorridentes para foto, e não antes, ainda no estado.
Ao
optar por Mano como suplente, então, Cid deve ter compreendido que vai precisar
convencer o eleitorado de que, vencida a eleição, quem vai exercer o mandato é
ele, e não um outro que Cid sempre julgou mais merecedor para estar nessa
posição.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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