10 de agosto de 2026

Quem ganhou debate entre Ciro e Elmano, por Henrique Araújo

 Elmano fez uma defesa enfática e consistente do seu trabalho. Ciro pareceu encurralado e com dificuldade para gerir o tempo  (Foto: Reprodução/BAND)

Os candidatos Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) se enfrentaram ontem no debate da TV Band, o primeiro de uma série entre os dois no que parece uma longa campanha. Entre mortos e feridos, Ciro tentou explorar o tema da segurança, como seria natural, mas encontrou um Elmano mais firme e "valente", nas palavras do próprio adversário.

O petista acabou se saindo melhor em todos os blocos, mesmo em assuntos da alçada do ex-presidenciável, a exemplo da reforma tributária e até no próprio terreno da criminalidade, em que o tucano deixou de se contrapor quando o chefe do Abolição o surpreendeu ao dizer que o problema das facções começou em 1993, durante o governo de Ciro.

Era fácil lembrar que o então secretário de Segurança do Estado negou, ainda em 2014, que houvesse facções no Ceará, mas o postulante do PSDB deixou escapar. No geral, então, Elmano extraiu mais ganhos nessa comparação entre seus quase quatro anos de administração e a experiência de Ciro como governador e deputado federal.

Diante dessas estocadas, o Ferreira Gomes, que pareceu encurralado e com dificuldade para gerir o tempo, acabou aceitando os termos da tática do petista, isto é, traçar um paralelo direto entre os governos do tucano e os do seu grupo político, frequentemente lembrado por Elmano como o "time de Lula e Camilo" - além do de Cid Gomes (PSB), outro nome que passou bastante pela boca do governador no curso de quase duras horas. Como cartão de visitas, foi uma vitória de Elmano, que fez uma defesa enfática e mais consistente do seu trabalho.

Datafolha em campo

A nova rodada do Datafolha vai a campo de hoje até quarta próxima, véspera da divulgação do resultado da pesquisa de intenção de voto para o Governo do Estado. Na prática, trata-se da primeira sondagem desde que as chapas se definiram.

Em março, quando o instituto aferiu o humor do eleitorado, o quadro era incerto. Havia rumor sobre uma hipotética substituição de Elmano por Camilo Santana, novela que se arrastou por algum tempo, enquanto Ciro sequer era postulante ao Executivo.

Depois de aparecer 15 pontos percentuais à frente do petista (47% a 32%), sua entrada no jogo para liderar a oposição se tornou inevitável. Quatro meses atrás, porém, a corrida ainda incluía Eduardo Girão (Novo) e Jarir Pereira (Psol) entre os concorrentes, um com 5% e outro com 2%.

Por ora, não se sabe como esses entrevistados devem se distribuir num panorama mais enxuto de aspirantes ao Abolição, mas não é descabido supor que uma margem mínima pode significar o encerramento da disputa no primeiro turno ou sua continuidade no segundo.

Ainda a pesquisa

O interessante a se observar é que o Datafolha desta semana já prevê uma leitura do impacto inicial dos nomes que integram as chapas tanto de Ciro quanto de Elmano, a exemplo de Capitão Wagner (União) e Alcides Fernandes (PL) de um lado e de Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede) do outro - os quatro cobiçam as duas vagas no Senado.

É também o primeiro levantamento que interpela o eleitor após os grandes atos de lançamento das candidaturas, o petista secundado por Lula e Camilo e o tucano por Tasso Jereissati e Roberto Cláudio, além de outros aliados.

Logo, é de se imaginar que o cearense passe a expressar sua intenção de voto a partir de agora já a par de um cenário consolidado, situação que efetivamente só se materializou no último dia do prazo para convenções, 5/8.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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