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| Governador Elmano de Freitas na Rádio O Povo CBN (Foto: Samuel Setubal) |
O governador reeleito do Ceará, Elmano de Freitas (PT), concedeu entrevista à rádio O POVO CBN na manhã de ontem (09/10) onde analisou o cenário político atual, foi questionado sobre como lidaria com um governo federal liderado por Flávio Bolsonaro (PL), falou sobre a nova oposição e fez duras críticas ao ex-governador Ciro Gomes, derrotado em primeiro turno.
Repetindo o feito de 2022, Elmano foi reeleição ainda no primeiro turno, com 53,19%, o equivalente a 2.875.573 votos. Ele derrotou Ciro Gomes, que teve 46,22%. Essa foi a quinta derrota seguida do tucano em eleições. Além de Elmano e da vice-governadora eleita Gabriella Aguiar (PSD), toda a chapa majoritária governista venceu a eleição.
O senador Cid Gomes (PSB) e a deputada federal Luizianne Lins (Rede) foram os nomes eleitos para o Senado Federal, com 31,22% e 29,05% dos votos, respectivamente. Os candidatos à Câmara Alta pela chapa da oposição, Capitão Wagner e o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), ficaram em terceiro e quarto lugar na disputa.
Desde 2025, o bloco da oposição se organizou em torno da candidatura Ciro Gomes para o Governo do Estado e uniu diferentes forças, com Roberto Cláudio, Capitão Wagner e o bolsonarismo, liderado por André Fernandes.
No entanto, com o resultado do último domingo, apenas o grupo bolsonarista registrou resultado positivo nas urnas, enquanto os demais foram reduzidos nas casas legislativas, tanto na Câmara dos Deputados, em Brasília, quanto na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).
Pesadelo
Na entrevista o governador reeleito do Ceará, Elmano de Freitas (PT), concedeu entrevista à rádio O POVO CBN. Elmano foi questionado sobre como lidaria com um governo federal liderado por Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o 1° turno na frente do presidente Lula (PT) e disputará o 2° turno contra o petista em 25 de outubro.
O chefe do Executivo disse estar empenhado na campanha de Lula no 2° turno e que só pensa em um governo de Flávio Bolsonaro "quando está dormindo e tem pesadelo".
“Amigo, isso eu só consigo pensar quando estou dormindo e tenho pesadelo. Eu não estou pensando nessa hipótese, eu penso na hipótese de garantir ao presidente Lula a vitória", respondeu ao ser perguntado sobre um eventual governo do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Mais do que o discurso, vale mais a vida real e o que aconteceu. Os bolsonaristas passaram quatro anos governando o Brasil e não mandaram um centavo para o cinturão das águas, para a transnordestina. Não mandaram recursos para a gente fazer hospital no Interior”, destacou Elmano.
O governador enumerou verbas que não teriam chegado ao Estado para obras, como o Anel Viário e escolas estaduais em convênio com o governo Bolsonaro. “Eu vou rezar muito para a obra ser concluída [em caso de vitória de Flávio]. Eu tenho segurança que elas [obras] serão concluídas com o presidente Lula vencendo a eleição. Se Deus quiser, o que vai acontecer”, disse.
Elmano projetou que a disputa presidencial deve ser acirrada até o fim, como aconteceu no Ceará, onde as pesquisas indicavam empate técnico na reta final. “Vai ganhar quem tiver mais intensidade, capacidade e humildade. A gente tem toda chance de vitória. A gente tem que ter humildade e não achar que a eleição está ganha”, avaliou.
O petista ressaltou ainda esperar que aliados de Ciro que pediram voto para o tucano ao governo e para Lula à Presidência, como Ivo Gomes e Mauro Fillho, continuem empenhados na campanha de reeleição do presidente. "Há um eleitorado importante que votou no Ciro e pode votar no Lula", enfatizou.
Mudança
de perfil da oposição no Ceará
O governador Elmano de Freitas (PT), reeleito no 1° turno das eleições, avaliou o novo perfil da oposição no Ceará após as eleições e disse que os grupos políticos do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), do ex-prefeito Roberto Cláudio (União Brasil) e do ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil) “viraram pó”.
Questionado sobre a mudança do perfil da oposição no Estado, o petista destacou a eleição da chapa majoritária e comentou sobre derrota da chapa de Ciro, Roberto e Wagner, assim como de outros integrantes do grupo opositor, como deputados estaduais e federais que não foram reeleitos.
"Tivemos
uma vitória muito importante da nossa chapa, aumentamos nossa presença na bancada
estadual, mas o que eu diria é que dois grupos, o grupo do Ciro e do Roberto
Cláudio e o grupo do Wagner, na minha opinião, nessa eleição (...) Política as
pessoas podem perder e depois se recuperar, mas nessa eleição o resultado, a
meu ver, é muito evidente. O grupo do Ciro e o grupo do Wagner viraram
pó", disse Elmano.
Em seguida, Elmano citou outros nomes do grupo que também não foram eleitos e considerou que as votações desses políticos foram “muito aquém” do registrado em eleições anteriores.
“O Ciro mantém, evidentemente, uma liderança, mas nenhum deputado estadual do grupo dele foi eleito deputado estadual. Antônio Henrique, Cláudio Pinho e Queiroz não se elegeram. Mauro Filho não se reelegeu, Wagner não se elegeu, não se elegeu Dayany [Bittencourt], [Soldado] Noélio, [Sargento] Reginauro. Esse grupo não elegeu ninguém, em votações muito aquém do que era, historicamente, a votação dessas pessoas”, opinou.
Oposição
agora é "bolsonarista raiz"
O petista enfatizou que o grupo de principais adversários do governismo no Ceará, após a eleição, será formada pela "oposição bolsonarista raíz”, que tem o deputado federal reeleito André Fernandes (PL) como referência. O parlamentar, inclusive, se tornou o deputado federal mais votado na história do Estado, com 684.372 votos.
Para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), o nome mais votado foi o do vereador de Caucaia Tancredo dos Santos, também do PL e aliado de Fernandes.
"E
quem é a oposição no Ceará a partir de agora? É claramente a oposição bolsonarista
raíz. O Ceará tem, hoje, um campo político hegemonizado pela esquerda, pelo PT,
pelo PSB, PSD, pelos demais partidos, e um outro campo, claramente, com a
maioria do povo desse campo da oposição que tem como referencia política o
deputado André Fernandes", disse Elmano.
O governador também considerou que a disputa política do Estado passará por alterações com essa nova oposição: “Nós temos que estar prontos, porque até aqui a gente enfrentava um debate com o Queiroz, um debate com o Roberto Cláudio. Agora, nós vamos ter um debate com os bolsonaristas e, portanto, tem que ser no tom que o bolsonarismo merece”.
Em seguida, Elmano apontou que a principal “vacina” contra os adversários será “debater com seriedade” e indicou que os integrantes do outro lado são “ocos”. “Acho que essa é a grande mudança. O Ceará vai ter o campo do centro com a esquerda democrático versus o bolsonarismo. Acho que isso vai se apresentar como a nova etapa da disputa política no Estado”, finalizou.
Desequilíbrio de Ciro antes e depois da eleição
O governador Elmano também rebateu as acusações de Ciro Gomes (PSDB) de que a eleição teria sido “roubada”. O chefe do Executivo disse que a declaração do tucano demonstra “desequilíbrio antes, durante e depois da eleição” para o Governo do Ceará.
"Isso demonstra que o desequilíbrio é antes, durante e depois da eleição. É a única coisa que eu posso dizer. Ele sabe que ele havia ganho direito de resposta e quando eu perdi o direito de resposta, eu não ataquei o Judiciário. Eu respeitei a decisão. Agora, eu tenho o direito de recorrer. O que ele nega e esconde da população é que no TSE a gente ganhou por 6x0. O TSE decidiu que o direito de resposta dado a ele não tinha sentido", disse.
Elmano explicou que o vídeo que culminou no direito de resposta a Ciro era uma peça que apresentava comportamentos semelhantes entre o tucano e os bolsonaristas. “Com essa nota ele mais uma vez confirma o posicionamento assemelhado ao bolsonarismo cada vez maior”, disse o governador.
Elmano continuou: “O TSE entendeu que o vídeo era de crítica política. O que de fato é (...) E nos devolveu o direito de resposta. Como o horário de propaganda tinha acabado, só poderia ser depois. Eu acho que ele age de má fé, de achar que a eleição foi roubada por isso”.
O governador questionou ainda os efeitos das propagandas onde Ciro ganhou, citando o exemplo de Sobral, onde o tucano teve cerca de 70% dos votos válidos. “Isso não teve efeito? Em Fortaleza ele ganhou e não teve efeito?”, questionou Elmano.
O chefe do Executivo cearense cobrou humildade de Ciro Gomes: “Ele perdeu a eleição por decisão soberana do povo cearense”, declarou o gestor. “Eu penso que a nota demonstra a dificuldade de perder, de saber perder. Eu tenho que me dedicar à campanha do Lula, a governar o Estado do Ceará e cumprir tudo aquilo que prometi que ia fazer”, pontuou.
Relação
de Ciro com o bolsonarismo no Ceará
O governador avaliou que as críticas e ataques de Ciro Gomes ao PT e ao senador Camilo Santana (PT) funcionaram como uma “ajuda indireta” ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).
“Até agora eu não sei a posição dele para presidente da República. Tem o candidato Flávio Bolsonaro e tem o candidato chamado Lula. Qual candidato ele vai apoiar? Ele não é qualquer personalidade. Qual o candidato do Roberto Cláudio para presidente da República?”, questionou Elmano.
O petista atrelou a neutralidade de Ciro à derrota do tucano, apontando que a falta de posição entre a esquerda e a extrema direita foi determinante para o insucesso do adversário. “Quem está aliado com esse tipo de política [do bolsonarismo] tem que ter uma resposta do povo consciente que sabe que isso não serve pra sua vida”, avaliou Elmano.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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