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| Elmano de Freitas e Ciro Gomes em debate do Sistema Verdes Mares (Foto: FCO Fontenele) |
Terminou na terça-feira, 29, a temporada de debates entre os candidatos a governador do Ceará, a mais extensa já vista, conforme me recordo. Foram sete, seis deles com as participações de Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT). Em conjunto, é possível observá-los como continuidade uns dos outros. São como capítulos de uma novela, com motes retomados e cujas abordagens sofrem ajustes. Há também mudanças e adaptações de estratégia.
O último encontro entre eles, na TV Verdes Mares, acabou por revisitar vários assuntos de outros momentos. Para quem assistiu a todos, é inevitável que se tornem repetitivos. A sensação era de já ter ouvido quase tudo dito ali.
O formato de banco de tempo é bom, ágil e permite a discussão fluir. Provoca também acirramento. Evita o engessamento tradicional. Abre espaço para aprofundar questões às quais os participantes escolhem dedicar mais minutos. Porém, isso obviamente ocorre quando os envolvidos decidem sair da superficialidade. Quando isso não se dá, como foi o caso, eles ficam dando voltas em torno do tema e o embate fica enfadonho.
Duas novidades me chamaram a atenção no último debate. Uma delas, a menção feita por ambos a Daniel Vorcaro, do Banco Master. Ciro citou a troca de mensagens do ex-banqueiro com Chiquinho Feitosa (Republicanos), aliado do governador. Elmano respondeu com a cobrança para o adversário se explicar sobre o jantar com o dono do ex-Banco Master. Eu não entendi quando Ciro levantou o assunto. Embora as menções sobre Chiquinho sejam bem mais complicadas, o fato de ter havido encontro e trocas de mensagens com o próprio candidato é mais negativo perante quem acompanha o noticiário de forma apressada. Talvez ele tenha resolvido tomar a iniciativa de levar a questão, preventivamente.
Outra novidade foi quase no fim do programa. Ciro questionou o fato de o Detran e a Cagece realizarem ações de asfaltamento. Elmano respondeu, em um caso, se tratar de programa de sinalização de vias. Em outro, o reparo de vias danificadas para obras de água e esgoto. Os dois levaram tempo demais na discussão, principalmente, sobre quem deve tapar os buracos abertos pela Cagece.
Balanço
dos desempenhos
O primeiro debate foi na Band, antes de a campanha começar. Ciro foi mais brando ali e Elmano, mais agressivo do que o esperado. No encontro seguinte, promovido pelo O POVO no Cariri, o tucano subiu o tom, o petista manteve a tônica e o conflito foi aberto. Duas semanas mais tarde, na TV Diário, foi ainda mais contundente. A sequência de eventos transpareceu o entendimento das próprias candidaturas de terem passado do ponto.
O encontro a se seguir, na TV Jangadeiro e no UOL, foi bem mais ameno — considerado o parâmetro. Também foi ofuscado por ter ocorrido no mesmo dia da tumultuada e inconclusa sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) acerca do pedido para investigar Alexandre de Moraes. O segundo debate promovido pelo O POVO manteve a toada de uma agressividade um tanto mais controlada.
Nesta semana, os dois faltaram à TV Cidade, do qual participaram, então, Vera Lúcia (Novo) e Delegado Huggo (Missão) — este último conseguiu participar por decisão judicial. A sequência foi concluída na terça-feira passada.
Cada eleitor costuma considerar o próprio candidato melhor e não deixa de ter razão, pois se identifica com aquele conteúdo. Não há uma verdade absoluta.
Minha percepção foi a de Elmano ter tirado mais proveito dos momentos. Talvez pela expectativa criada no começo, sobre a possível dificuldade a ser enfrentada por ele. Havia essa impressão por, quatro anos atrás, o petista ter se saído pior em relação aos adversários Capitão Wagner e Roberto Cláudio (ambos hoje no União Brasil). Mas, ao final do mandato, ele conhece a gestão por dentro.
Ciro se manteve sempre muito crítico, natural para quem faz oposição. Em certos momentos, soou-me cansativo pela repetição. Achei que ele foi melhor quando entrou em aspectos mais técnicos, como ao falar da Transnordestina na terça passada. Ou quando foi mais propositivo.
O desempenho do tucano variou mais de um momento para outro, com mudanças de estratégia, enquanto Elmano se manteve mais estável.
No
fim, considero que nenhum dos candidatos deu um show nem foi um desastre. A
eleição não será vencida ou perdida por causa dos debates. Porém, eles oferecem
subsídios para a escolha do eleitor.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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