17 de fevereiro de 2014

Integra do discurso do escritor Geraldo Ananias por ocasião do lançamento do livro A Força de um Mistério em Altaneira

Excelentíssima Senhora Presidente da Câmara, vereadora Lélia de Oliveira, por intermédio de quem cumprimento os demais componentes da Mesa e todos os parlamentares desta insigne Casa;
Excelentíssimo Senhor Prefeito, Delvamberto Soares, por intermédio de quem cumprimento os senhores secretários;
Estimado amigo João Ivan Alcântara, ex-prefeito desta cidade;
Demais autoridades aqui presentes;
Queridos familiares;
Minhas senhoras, meus senhores;

Boa-noite a todos! 

Sinto-me por demais honrado e feliz com a presença dos senhores, que gentilmente aceitaram o nosso convite e vieram nos prestigiar no lançamento de nosso quinto livro, o romance A Força de um Mistério. Portanto minhas primeiras palavras não poderiam ser outras senão de agradecimento pela generosa acolhida.

Como qualquer pessoa, tenho muitos defeitos. Todavia persigo uma virtude importante: a de não esquecer o bem que me fazem. Por isso, de maneira especial, queria registrar, inicialmente, minha gratidão ao caro amigo Ivan, não só pelas amáveis palavras aqui proferidas sobre minha pessoa, mas também — e principalmente — por tudo o que fez e vem gentilmente fazendo pela divulgação de nossos trabalhos. Sem dúvida, é um homem sábio e que tem o privilégio de haver registrado nas páginas de sua vida o timbre de sua brava luta em benefício do povo altaneirense. Sinto-me feliz por ser seu amigo, Ivan, e por ter convivido com você aqui, nos bons tempos de outrora, da antiga e saudosa Santa Tereza.
Gostaria de lembrar que o Ivan foi educado nos bancos dos respeitáveis seminários. Naquela época, chegou a morar na casa de meu avô, conhecido como João Bião, em Taboquinha, com a missão de levar o saber ao povo daquela localidade, abrindo-lhes as primeiras porteiras para a educação.

Fez muito por seu povo e jamais será esquecido. Aliás, há um pensamento de Benjamim Franklin que, em linhas gerais, diz assim: “Se você não quer ser esquecido, escreva coisas que vale a pena ler ou faça coisas que vale a pena escrever”. Pelo menos essa segunda parte você já cumpriu, Ivan. Resta agora escrever um livro e contar a sua história de vida.

Agora queria agradecer também, de forma particular, a Lélia por ter sido a primeira pessoa a me convidar para fazer o lançamento de nosso livro aqui em Altaneira, convite esse reiterado, e aceito, quando de sua viagem recentemente a Brasília.

Naquela oportunidade, tive o privilégio de conhecer dois outros membros dessa insigne Casa, o jovem acadêmico Edézyo e o professor Gilson. Ambos, de forma cordial, apoiaram a ideia, e aqui estou para cumprir tão honrosa missão.  Muito grato a esses dois gentis parlamentares!

Chegou a hora de fazer a apresentação do livro para os senhores, registrando, desde logo, que tenho em mão interessantes e valorosos registros perpetrados por colegas sobre o assunto, o que, sem dúvida, facilitou, sobremaneira, a minha tarefa de hoje, no particular.

Na visão do ensaísta Theófilo Silva, A Força de um Mistério “É uma história de homens, mulheres e jovens que, de repente, veem suas vidas confrontadas pelo inesperado, pelo destino que teima em bater na porta de forma abrupta, destruindo vidas e elevando outras a níveis transcendentes, permeados de espiritualismo e da ação do incognoscível, e mesmo do sobrenatural.”

Outra abordagem, dessa feita do escritor, professor e juiz de direito aposentado, José Gerardo de Oliveira, trouxe interessante enfoque a respeito do livro, partindo do local onde começou a história do romance, destacando, entre outros tópicos, o personagem principal. E assim registrou: “...obra cujo cenário principal é uma cidade grande, São Paulo/SP, e retrata conquistas e vivências de personagens, particularmente de Leonel, os quais em meio às mais diversas, imprevisíveis e urdidas tramas, sempre chegam a bom termo, após deixar o leitor curioso, sobressaltado e, muitas vezes, tomado pela emoção. Não resistindo às origens do personagem e do autor, mescla o cenário principal com a pequena Paulista, nos arredores do Recife.”

Destacou ainda que “A Força de um Mistério traz um encadeamento de acontecimentos prenhes de surpresas, que geram expectativas, que geram soluções imprevisíveis e que levam a outras surpresas. O seu desenrolar é uma agradável sonoridade tal qual nos proporciona o silêncio do deserto, à noite, nas suaves e uníssonas ondulações do vento que vem e que vai, levando sua mensagem ao caminhante desconhecido.” E concluiu dizendo que ficara “bem demonstrado o mistério de uma força interior, ínsita em cada um de nós, independentemente de qualquer segmento religioso.”

E arrematou dizendo: “O desfecho de A Força de um Mistério é mais uma emocionante surpresa e fica por conta do leitor desvendá-la.”

Não teria muito o que acrescentar sobre a síntese que acabei de dizer. Apenas me permitiria registrar que — a exemplo do ocorrido com os demais trabalhos realizados — escrevi esse livro com muito entusiasmo e carinho. Ressaltaria também que procurei encontrar um desfecho marcante e que pudesse, no meu sentir, tocar o coração dos leitores, levando-os a refletir sobre a  importância das boas mudanças  interiores e, principalmente, sobre a necessidade premente de que precisamos nos amar primeiramente para depois aprendermos a ser melhores e solidários com o próximo. Logo mais, os senhores hão de conferir e julgar tudo que escrevi no livro.

Dito isso, gostaria ainda de registrar rápidos tópicos sobre meu passado. Nasci em Santana do Cariri — ali do outro lado da Serra do Araripe. Aos sete anos, juntamente com minha família, nos mudamos para uma propriedade de meu avô paterno, zona rural do Crato, no sítio Almécegas, ao lado do antigo Colégio Agrícola, local onde minha mãe — nascida em Taboquinha — vive até hoje.

Deixei minha terra no final do primeiro ano científico (Ensino Médio), ainda nos verdes anos de juventude, lá pros idos de 1970. Depois de breve passagem por São Paulo, fui lutar por um lugarzinho ao sol em Brasília, onde vivo até hoje. No início, foi tudo muito difícil: solidão, sofrimento, nostalgia. Mas valeu a pena. A Capital da Esperança me acudiu e em seu regaço me acolheu na condição de filho adotivo, não permitindo que a saudade e a desesperança tomassem conta de mim por muito tempo. Foi lá que conclui o Ensino Médio, me formei, consegui emprego e constitui família. Assim, não poderia deixar de ser eternamente grato àquela cidade, pois, como diz um grande sábio: “O filho legítimo, regra geral, é amado porque é filho; já o adotado é filho porque é amado”. Além disso, “é lá onde moro e me sinto bem.”

Mesmo diante do tempo e da distância, nunca me esqueci de minha terra, de minha gente, especialmente da “Taboquinha Altaneirense” e de nossa sempre alegre e querida Altaneira. Foi nessa terra onde edifiquei importantes traços de minha personalidade e aprendi que o Direito à liberdade não se mendiga, conquista-se. Por isso, sempre que posso, venho passar dias com a família nesta região. Nessas ocasiões, revejo os parentes e amigos daqui. O Orlando Landim, meu primo, é um exemplo e prova disso. Aliás, toda vez que entro em Altaneira, passo primeiramente por seu estabelecimento para cumprimentar o ilustre parente. E isso vem ocorrendo há dezenas de anos. Hoje, Aliás, tentei repetir esse gesto — mas a mercearia dele se encontrava fechada. Pretendo também, antes de voltar, visitar também outra pessoa querida, a tia Fausta, com quem tive o privilégio de desfrutar de sua agradável companhia.

Lembro com muita saudade que, nos tempos distantes, tudo muito diferente de hoje, eu passava dias aqui em Altaneira na casa da tia Dedeza e do tio Vicente Landim, pais do Orlando. Eram pessoas que sempre me acolhiam com carinho. Por eles guardo no peito eterna gratidão.

E não me paira dúvida de que eles dois estejam neste momento desfrutando das delícias do céu, juntamente com tantos outros parentes e amigos de boas lembranças. Dificuldade alguma eles devem ter passado para entrar na Casa de Deus. Fazendo minhas as palavras do inigualável Rubem Braga, com as devidas adaptações e repetindo o que eu registrei no discurso de posse no ICC, diria que “Sempre tive confiança de que eles dois não seriam maltratados na porta do céu, e mesmo que São Pedro tivesse ordem para não deixá-los entrar, ficaria indeciso quando eles lhe dissessem em voz baixa: Nós somos lá de Altaneira...”

Ao fazer essa retrospectiva, veio-me à mente a nossa querida Taboquinha de outrora, quando lá vivia um povo festivo e feliz. Nunca me esqueci do casarão de meu avô, da casa de tia Chanda e do querido amigo e companheiro Messias, de meu pé de juazeiro, que fica ao lado do casarão e que foi retratado no livro “Foi Assim...”. Essa árvore, apesar de transcorridos dezenas de anos, ainda hoje se encontra viva e verdinha, representando um símbolo presente de um passado de saudosas lembranças. Pretendo visitá-lo e ver se o meu nome ainda se encontra esculpido em seu tronco.

A canção de Severino Nunes Feitosa, intitulada “Voltando à minha Terra”, mexe com a gente, com os nossos sentimentos, e atiça nossas lembranças e saudades, particularmente nos trechos que dizem assim:

O que não posso tirar
Nunca da minha lembrança
é o pedaço de terra
que vivi quando criança
...
A casa antiga onde me criei
Não tem as mesmas portas e janelas
Até as moças com quem namorei
Estão casadas não são mais aquelas
Os meus amigos e os meus parentes
Que cultivaram essa terra outrora
Os que ficaram estão diferentes
Uns já morreram e outros foram embora

Para não abusar da paciência dos senhores, devo concluir minha fala, registrando que, neste momento, depois de tantos anos, estou realizando com alegria um grande sonho: lançar um livro nesta cidade querida, terra de minha mãe e onde passei os melhores dias de minha juventude, desejando que a nossa mensagem possa tocar o coração dos queridos leitores.

Chegou, finalmente, a hora de colocar o nosso quinto livro à apreciação dos senhores. E assim o faço na esperança de que gostem do enredo nele contido e que tenham agradáveis momentos de leitura e de bons sonhos, afinal, já dizia o imortal poeta inglês William Shakespeare: nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos.  Sonhem e sejam todos felizes!


Muito obrigado!