1 de março de 2015

Um dos desafios do Governador é preencher cargos e satisfazer aliados

Camilo Santana tenta atender aliados com nomeações, mas muitos cargos ainda não foram preenchidos pelo governo (Foto: Mauri Melo)
O processo de preenchimento dos cargos de 2º e 3º escalões no governo Camilo Santana (PT) tem apresentado dificuldades aparentemente maiores do que em gestões anteriores. Mesmo que o discurso oficial, originário do Palácio da Abolição, tente aparentar o contrário e indique um ritmo de normalidade, com registro dos problemas que se considera naturais a um processo de preenchimento de cargos no começo de uma gestão. Na semana passada, foi divulgada lista com 12 nomes para vários órgãos que permaneciam entregues a interinos. 

Um dos partidos que apresenta quadro interno de incômodo com a situação é o próprio PT do governador. Segundo se queixa o deputado estadual Elmano de Freitas, não se fez discussão acerca do assunto em nenhuma de instância. “Acho que o partido deveria ter tido reunião com os grupos internos no sentido de considerar as principais políticas que acreditamos, e, a partir daí, fazer as indicações”. Para o petista, o atual comportamento é “uma falha de todo o partido”. “A discussão está perdida”, conta. Elmano, no entanto, elogiou a recente indicação de Eduardo Barbosa para o Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace).

Outra queixa parte do PSD, onde o presidente estadual, Almircy Pinto, é mais incisivo na crítica à postura do próprio governo, que acusa de fragilizar o diálogo. Segundo ele anuncia, a direção partidária quer reunir os deputados para avaliar a situação. A relação, adverte ele, pode até ficar estremecida caso as conversas não fluam, conforme contou Almircy.

O deputado estadual Wellington Landim (Pros) afirmou ao O POVO que o partido não reivindica cargos. “Essa decisão (de indicação) é inteiramente do governador”. O parlamentar disse ainda que os nomes da legenda que estão no comando de órgãos não foram indicação do partido nem do ex-governador Cid Gomes (Pros). O deputado afastou qualquer possibilidade de insatisfação com a gestão do petista. “Não existe insatisfação, não existe nada. Esse boato que o Pros está insatisfeito não passa de boataria, o Pros está mais bem alinhado (com Camilo) do que o próprio PT”.

Presidente estadual do PDT, o deputado federal André Figueiredo diz que ainda não conversou com o governo sobre o assunto. Figueiredo adianta, no entanto, que o partido gostaria de manter, pelo menos, os comandos que já possui. O pedetista citou, por exemplo, o comando da direção do Hospital José Martiniano de Alencar e a Coordenação de Igualdade Racial. Segundo André, as preferências são pontuais e se justificam mais “pelas questões técnicas do que políticas”.

Com informações O Povo Online