27 de março de 2015

Aprovadas na Assembleia e na Câmara de Fortaleza moções de repúdio contra Eduardo Cunha

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e a Câmara Municipal de Fortaleza aprovaram ontem moções de repúdios com um alvo em comum: o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). 

Os textos criticaram a forma como o parlamentar conduziu a sessão do último dia 18 de março, que teve a presença do então ministro Cid Gomes (Pros). Ele foi à Casa para prestar esclarecimentos sobre a acusação, feita no Pará, de que o Parlamento teria de 300 a 400 “achacadores”.

Na Assembleia, a iniciativa foi encabeçada por Wellington Landim (Pros). Ele, que esteve presente na sessão em Brasília, disse que o que o motivou a lançar a proposta foi “a atitude truculenta, antidemocrática e mal-educada do presidente da Câmara Federal”.

Segundo o texto aprovado com 25 votos a favor, o comportamento de Cunha foi “de encontro às prerrogativas dos parlamentares, que ficaram numa situação constrangedora”. A nota também afirma que os membros do parlamento federal sempre foram bem tratados em suas passagens pela Assembleia.

Mas nem todos os presentes na sessão de ontem apoiaram a iniciativa de Wellington. Houve oito votos contrários. Danniel Oliveira (PMDB) foi um deles. Segundo o deputado, a aprovação da nota seria “uma atitude de um poder, que é o Poder Legislativo do Estado do Ceará, contra um outro poder, que é o Poder Legislativo do Brasil”. Ele disse temer que o texto pudesse prejudicar as relações com os colegas da Câmara Federal em um cenário que o Ceará precisará de recursos oriundos de Brasília. “O próprio governador vive em Brasília, com o pires na mão, atrás de arrecadar qualquer coisa para melhorar a situação do Estado”, comenta.

É o tipo de preocupação que seu colega Ely Aguiar (PSDC) compartilha. O parlamentar também questiona a relevância do tema para o Estado. “Esta Casa passou vários dias sem sessões. Quando volta, fica discutindo um tema que não interessa a população”, reclama. Ele também criticou a ida da caravana de aliados a Brasília - entre eles o governador Camilo Santana (PT) -, classificada por Eduardo Cunha de “claque”. Na opinião de Ely, acabou-se esvaziando o poder no Estado.

Zezinho Albuquerque (Pros), presidente da Assembleia, discordou. Ele confirmou que, de fato, vários deles foram a Brasília para prestigiar a fala de Cid. Entretanto, também lembrou que o orçamento havia sido aprovado no dia anterior, e que vários dos membros do Executivo foram buscar recursos das emendas junto aos deputados federais. “Como o governador, que já estava lá desde o dia anterior. E visitou vários ministérios”, exemplifica.

No Legislativo municipal, o texto proposto por Adail Júnior (Pros) rachou o plenário. A moção foi aprovada por nove votos a oito, com a bancada do PMDB se opondo à iniciativa. O presidente da Casa, Salmito Filho (Pros), também esteve presente na sessão em Brasília com o ex-ministro Cid Gomes.

Com informações O Povo Online