2 de março de 2015

PT tem de reconhecer que precisa do PMDB, diz Eunício

O líder do PMDB, ao lado de Renan Calheiros, em reunião da bancada (Foto: Jonas Pereira)
A presidente Dilma Rousseff (PT) tentará, pessoalmente, reconstruir, hoje, as pontes de diálogo com o PMDB. As conversas deverão ser longas e francas. Pelo menos segundo o líder peemedebista no Senado, Eunício Oliveira (CE), para quem o PT tem de “entender que precisa do PMDB para governar o Brasil”. 

Foram convidados para o jantar, no Palácio da Alvorada, o presidente nacional do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os seis ministros peemedebistas e os líderes do partido no Congresso, Eunício Oliveira, no Senado, e Leonardo Picciane, na Câmara.

O encontro é o desfecho de uma série de esforços nos últimos dias que contou, inclusive, com reunião entre o ex-presidente Lula e a cúpula do PMDB. A expectativa é de que Dilma sinalize aos peemedebistas que pretende incluir a sigla nas principais decisões políticas da gestão.

Entre os motivos alegados pelo líder no Senado para a crise, estão a falta de interlocução com a presidente, a ausência do PMDB na cúpula do governo, a indicação de nomes como Gilberto Kassab (PSD) e Cid Gomes (Pros) para os ministérios das Cidades e da Educação e a tentativa desses ministros de articular novos partidos junto ao Governo para mitigar a influência do PMDB.

A disputa entre PT e PMDB pela presidência da Câmara e do Senado deteriorou a relação. Temer teria dito, em uma conversa telefônica com Dilma, que a sigla está no "limite da governabilidade", sinalizando possível rompimento. O apoio do PMDB ao Governo, no entanto, é visto como fundamental para sustentação política.

Para Eunício, o Governo não respeita o PMDB e não os tem como aliado. Os sinais de reaproximação de Dilma com a sigla de seu vice-presidente ainda não influenciaram muito na relação, diz o senador. Porém, após reunião com ministros, Michel Temer sinalizou que o diálogo foi “um primeiro passo” para o partido apoiar os ajustes.

“Foi dito para Lula: não tenho condições de manter o veto dela (Dilma) para corrigir a tabela (do Imposto de Renda). Votarei pela queda do veto se não tiver uma saída”, afirmou Eunício. Para o senador, se o PMDB fizesse parte “para valer” do grupo de coalisão de Dilma, as medidas teriam impacto diferente no Congresso.

A mudança na relação, segundo Eunício, só acontecerá “se o PT entender que o PMDB é um partido da coalisão, não de ‘empreguinhos’ e ‘carguinhos’”. “Para aprovar (as medidas provisórias), queremos saber qual a contrapartida, não para nós, mas para o povo brasileiro. Chega de mentir para a população”, disse o líder.

Com informações O Povo Online