19 de março de 2015

Cid mantém acusações, desafia Cunha e deixa Governo

O ex-governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), apresentou à presidente Dilma o pedido de demissão do cargo de Ministro da Educação logo após se retirar da sessão geral da Câmara dos Deputados sobre esclarecimentos às acusações de "achaque" por parte de parlamentares ao Governo dilmista.

"A minha declaração na câmara, é obvio que cria dificuldades para a base do governo. Portanto, eu não quis criar nenhum constrangimento. Pedi demissão em caráter irrevogável" comunicou Cid. 

A queda de Cid, que era da cota pessoal de Dilma, teve o efeito de não aprofundar ainda mais a crise com o Congresso. Nas últimas semanas, desdobramentos da operação Lava Jato têm dificultado o diálogo com o Legislativo. Com projetos polêmicos na fila para votação, a saída do ex-governador do Ceará pode atrair maior simpatia das bancadas.

O episódio, no entanto, prejudicou os planos do Planalto de transformar o anúncio do pacote anticorrupção no início de uma “agenda positiva”. A briga na Câmara acabou ofuscando a ação.

Na sessão de ontem, o Planalto esperava que Cid se desculpasse por acusação da existência de “300 ou 400 achacadores” na Câmara.

Ao invés disso, Cid reiterou crítica e desafiou o presidente da Casa: “Prefiro ser acusado de mal educado a ser acusado de achacador, como ele”, disse, apontando para Cunha.

“Não vou admitir que alguém que seja representante do Poder Executivo não só agrida essa Casa, como também agrida a todos os parlamentares”, rebateu Cunha, que anunciou ainda que processará - em conjunto com a Câmara - Cid.

Presente à sessão, uma “comitiva” formada por Camilo Santana (PT), Roberto Cláudio (Pros) e diversos parlamentares cearenses foi retirada do plenário por determinação de Cunha. 

Ao deixar o Planalto, Cid se disse “feliz” com sua saída. “Eu estou feliz. Lamento pela educação do Brasil. Lamento porque tem muito o que fazer.” Aliados Cid negaram ao O POVO que sua saída fosse premeditada. Na conversa com Dilma, Cid disse não querer “trazer constrangimento” ao governo, mas que não poderia negar sua fala no caso.
Com informações O Povo Online