3 de outubro de 2018

Ainda será possível fazer um chamado à razão? por João Alfredo

Não consigo acreditar que quase 1/3 do eleitorado brasileiro seja, em sua totalidade, a favor da tortura, da ditadura, do estupro, do extermínio de adversários políticos etc. Ou que sejam todos eles racistas, machistas, homofóbicos, violentos.

Não, eu não desconheço que, dentre esses,  haja policiais torturadores, patrões escravistas, agressores e assassinos de mulheres, militares reacionários, religiosos fundamentalistas etc. (estes são os eleitores “típicos”, que se sentem plenamente representados pelo nazifascista).

No entanto o que dizer de amigos e parentes próximos que nunca professaram essas ideias e práticas anti-humanas (e anti-humanistas) e, sabendo o que ele (#EleNão) defende e a tragédia que poderia ser um governo do nazifascista, ainda assim o apoiam?

Será que o ódio ao PT (e à esquerda) justifica que, de forma absolutamente irresponsável, possamos vir a entregar (espero e luto para que isso não aconteça!) o nosso país a um sujeito truculento, bronco e ignorante, que não tem nada (nada!) de positivo a apresentar em mais de 30 anos de deputado federal (onde só teve dois projetos aprovados, nunca tendo se destacado como parlamentar)?

O que leva advogados, meus colegas  - que juraram defender a Constituição e o Estado Democrático de Direito - a se envolver com uma candidatura que nega tudo isso e faz a apologia do regime de exceção?

O que faz com que médicos - que fizeram o juramento de Hipócrates - apoiem um candidato que explicitamente defende o sofrimento e a morte de seus oponentes?

Em que parte do Evangelho (a “boa nova”) os cristãos praticantes (católicos, evangélicos ou espíritas) encontram fundamento para votar em um sujeito que prega explicitamente ódio e a intolerância?

É esse o chamado que quero fazer aos que, de forma consciente ou não, embarcaram nessa nau da insensatez: que possam refletir sobre o que está em jogo nestas eleições; que avaliem se uma “vingança” contra o PT pode ser mais forte que o futuro de nosso país, de nossa sociedade, de nossos filhos e netos. É disso que se trata, em última análise.

Se cometermos esse erro brutal, nem a História, nem as gerações futuras, nem nossos filhos e netos nos perdoarão.

Mas, ainda dá tempo! Só depende de nós!