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| Horto do Padre Cícero, símbolo de Juazeiro do Norte (Foto: Aurélio Alves) |
Em 2022, a então governadora do Estado, Izolda Cela (PSB), sancionou a Lei nº 18.085, instituindo a Rota do Turismo Religioso no Ceará. Atualmente contendo 22 municípios, a iniciativa objetiva evidenciar pontos turísticos e culturais da região, promovendo o desenvolvimento e o fortalecimento do turismo religioso.
Apesar do território possuir destinos consolidados, Linhares reforça a importância de investir no planejamento de infraestrutura básica para receber os visitantes, incluindo o fortalecimento da rede hoteleira e de restaurantes dos municípios.
“Não é só colocar uma imagem à visitação, tem que ter toda uma estrutura, tem que ter toda uma preocupação para receber esse visitante. É um incremento valoroso para a economia, mas é um incremento valoroso também para a identidade cultural de um povo, que é o povo cearense, que é um povo bastante fiel às suas tradições”, incentiva.
“Tem
que ter esse aporte para o visitante, porque senão você vai ter uma invasão de
pessoas para o destino e aí vai ter uma propaganda ao contrário", diz.
Segundo ele, os gestores não podem se preocupar "só em entronizar a
imagem".
Ele destaca pontos como estrutura de hotelaria e a questão das rodovias, frisando que o turismo é "quase 100% rodoviário para o interior do Estado". "É um conjunto de coisas, de fatores, para poder desenvolver o turismo religioso em sua plenitude”, explica.
Turismóloga e presidente da Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais de Turismo (Abbtur), Silvia Guimarães, reforça a importância estratégica do turismo religioso. "Ele integra a fé, a identidade cultural. Está muito atrelado às questões culturais, à memória coletiva e ao desenvolvimento local”.
Do
ponto de vista social, a presidente destaca o fortalecimento do sentimento de
pertencimento das comunidades, a valorização das tradições, a promoção da
inclusão, especialmente em municípios do interior do Ceará, onde a
religiosidade é mais presente.
Culturalmente, ela ressalta que o segmento contribui para observação dos patrimônios, materiais e imateriais. Quanto à questão econômica, avalia que há alto potencial de geração de renda, movimentando cadeias produtivas "como hospedagem, alimentação, artesanato, transporte, comércio, serviço, além de reduzir também as questões da sazonalidade do turismo tradicional”.
De acordo com a presidente, durante o 7º Fórum Nacional de Turismo Religioso (FNTR), realizado em Trindade (GO), no mês de novembro passado, foi divulgado que 9% do volume das viagens nacionais são de motivação religiosa.
Há
mais de 10 anos atuando no mercado do turismo, a profissional avalia a
importância do planejamento desse segmento ser pautado participativamente,
incluindo a comunidade e as lideranças das mais diversas religiões. "O
turismo religioso não pode mercantilizar a fé, mas sim atuar como uma
ferramenta de valorização cultural, espiritual”, pontua.
O fomento à diversidade religiosa também é apontado por Linhares. Segundo o turismólogo, as políticas públicas precisam ir além do catolicismo. Para ele, Fortaleza é um exemplo de cidade que se destaca também no setor evangélico e do Candomblé. "A gente tem um grande potencial, mas a gente ainda não tá sabendo fazer e acontecer. O Ceará era para ser o maior destino turístico religioso do País”, avalia.
No Ceará, os destinos mais procurados pelos clientes de Linhares são os municípios de Canindé, Quixadá, Baturité, Guaramiranga, Crato e Juazeiro do Norte. “Pessoas acima de 40 anos e pessoas idosas são as que mais a gente atende, principalmente quando a gente leva o turista para o turismo religioso", revela.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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