18 de março de 2026

As idas e vindas dos partidos, por Érico Firmo

Janela partidária modifica composições da Assembleia Legislativa do Ceará (Foto: Samuel Setubal)

As próximas semanas são um dos dois períodos cruciais do calendário pré-eleitoral de 2026. É o prazo para troca de partido, filiação e desincompatibilização. Serão assim definidas as agremiações pelas quais os candidatos irão disputar. Além disso, quem não deixar os cargos ficará impedido de concorrer. Desse modo, é o momento de muitas mudanças em governos.

O outro período crucial será entre o fim de julho e o começo de agosto, quando as convenções serão realizadas para oficializar as candidaturas. Até lá, tudo terá de estar definido mesmo.

Este prazo que se encerra em 4 de abril, seis meses antes do primeiro turno, acaba definindo as chapas de deputados estaduais e deputados federais. Esse fator pode soar secundário para o eleitor que olha mais para as campanhas majoritárias, de governador e presidente. Mas são essas as personagens que movimentam a política.

As conversas estão intensas nas últimas semanas. Políticos fazem cálculos. Nas chamadas eleições proporcionais, o total de votos no partido ou federação define quantos parlamentares são eleitos. Político com muito voto pode ficar fora na sigla errada, assim como é possível conseguir vagas com menos votos, se for pela legenda correta. Há alguns especialistas nessa contabilidade da urna.

Por isso muita gente não entende a razão de um candidato com menor apoio se eleger enquanto um com desempenho muito melhor fica sem mandato. Diferentemente do voto majoritário, a lógica das disputas proporcionais é representar um segmento social ou um campo de pensamento — que, hipoteticamente, estaria expresso no partido político.

A esta altura, há muitas negociações e contas em curso. Ideologia e programas partidários importam muito pouco, quase nada. Os potenciais candidatos querem saber quem dá a eles melhores chances de se elegerem. O ambiente está bastante tenso.

Há movimentos peculiares. O deputado estadual Apóstolo Luiz Henrique saiu do Republicanos, negociou com o PSD, mas acabou no MDB. A prefeita de Nova Russas, Giordanna Mano, saiu em outubro do ano passado do PRD e se filiou ao PSB. Passados cinco meses, ela fez o caminho de volta e trocou o PSB pelo PRD, onde presidirá a federação formada com o Solidariedade. Deixará a Prefeitura até o começo de abril, com intenção de concorrer a deputada federal.

Com o PRD sob nova direção, o antigo presidente, vereador Michel Lins, buscou outro rumo e se filiou ao Republicanos.

Situação particularmente curiosa é a do ex-presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Gardel Rolim. Ele saiu do PDT em janeiro e se filiou ao PRD. Mas a direção pedetista disse ter sido pega de surpresa. O mais interessante é que, com a troca no PRD, é capaz de o vereador mudar de legenda de novo até o início de abril. O colega colunista Guilherme Gonsalves contou que o parlamentar acompanhará Michel Lins e irá para o Republicanos.

Ainda haverá muito mais movimentos.

No intervalo de cinco dias, com o fim de semana no meio: 1) Veio a público relatório da Polícia Federal sobre investigação acerca de Júnior Mano (PSB), e 2) Gorete Pereira (MDB) foi alvo de operação. O Ceará tem 22 deputados federais. Talvez seja um recorde.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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