20 de junho de 2026

Ciro afirma que apoio a Flávio Bolsonaro não está em discussão

Ciro descartou a possibilidade de apoio a Flávio Bolsonaro e lembrou que as desavenças nacionais com o PL são insuperáveis (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O pré-candidato a governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) afirmou, em entrevista para a revista Veja, que um apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência não está em questão, apesar da aliança com o PL no Estado. Ele comparou os governos Lula e Bolsonaro e discordou da classificação do PCC e CV como terroristas.

Ciro negou haver contradição no fato de pretender manter distância de Lula e Flávio Bolsonaro, mas não rejeitar o apoio do PL à sua pré-candidatura. "Não há uma única eleição federativa no Brasil em que você não encontre isso", afirmou, lembrando que o Brasil é grande e distinto, com realidades diferentes.

Para ele, Lula e Jair Bolsonaro (PL) não têm diferenças além da estética.

"Fui candidato a presidente disputando com Lula e Bolsonaro. Tirando a estética, os dois são rigorosamente iguais: câmbio flutuante, superávit primário, meta de inflação, autonomia selvagem do Banco Central, política de paridade de preço internacional da Petrobras, reforma da Previdência, privatização fraudulenta", comparou.

Longe de Flávio

O pré-candidato a governador descartou a possibilidade de apoio a Flávio Bolsonaro e lembrou que as desavenças nacionais com o PL são insuperáveis.

"Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não tínhamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional", pontuou.

Recentemente, Ciro disse que não estará presente no lançamento da pré-candidatura ao Senado do aliado Alcides Fernandes (PL), dia 10 de julho, com a presença confirmada de Flávio Bolsonaro. "Sou do PSDB", justificou. Aliados do PSDB também negaram presença ao evento.

Ciro exaltou o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, e disse não saber se Flávio Bolsonaro quer receber seu apoio na campanha.

"Eu era candidato a presidente da República até ontem. Eu voto no Aécio Neves, que está se apresentando como pré-candidato do PSDB. E não sei se o Flávio quer meu apoio também, porque o que eu já disse sobre eles — 'um bando de imbecis, picaretas da rachadinha, ladrões, corruptos' — certamente seria usado pelos oportunistas do PT. Aliás, ele, Flávio, deveria usar o que eu também já falei do PT", avaliou.

O tucano disse enxergar tentativa de golpe de estado nos atos de 8 de janeiro, punidos pelo STF. "Sem dúvida. Golpe de Estado é um crime muito peculiar. Só é punível na versão tentativa, porque, por definição, se ele funciona, se o golpe acontece, ele é que conta a história. Então a tentativa, o plano, a ideia, as conversas, aquilo é em si mesmo a consumação do crime", avaliou.

Ele voltou a criticar o governo Lula, e destacou a questão da idade do presidente como um problema para a busca por mais um mandato.

"Tem a interdição dessa coisa politicamente correta, mas as pessoas que querem bem ao Lula deveriam considerar uma temeridade ele se lançar candidato com 81 anos de idade. Quero que ele vive mais 50 anos, mas estatisticamente não é assim", ponderou.

Quatro vezes candidato a presidente, Ciro explicou porque não aceitou uma vez mais concorrer, mesmo tendo recebido o convite por parte de Aécio Neves.

"Até a eleição passada, eu tinha segurança de que eu daria jeito nos problemas do país. Agora, estou seguro de que não tem jeito. Você tem uma dívida galopando a 1 trilhão por ano. Estamos no máximo de arrecadação, a carga tributária já passou de qualquer razoabilidade, e no mínimo de investimento", avaliou.

Ele previu piora da situação após a eleição de outubro. "Quando passar a eleição, explode a inflação. Há 82 milhões de pessoas inadimplentes. Estão pagando cartão de crédito com cheque especial. Isso é um desastre. O país está quebrando e nós ficamos discutindo o sexo dos anjos", finalizou.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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