![]() |
| Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça estão no epicentro da crise do STF (Foto: Carlos Alves Moura) |
O ministro André Mendonça foi o responsável por acender o rastilho de pólvora que explodiu com uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao expor conversas de Alexandre Moraes com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e pedir abertura de investigação contra o colega e também ministro, Mendonça abriu uma porta que parece impossível de fechar. Em pouco tempo, ele conquistou a opinião pública e colocou o arquirrival da família Bolsonaro contra a parede.
Por vezes, num prazo curto de três dias, André Mendonça parece ter esquecido que era ministro do STF. Deu declarações nas redes sociais, gravou vídeos agradecendo ao apoio, foi homenageado em ato político no 7 de setembro e, sem se opor, foi alçado a 'referência ética' na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República.
O sucesso repentino pode ter subido à cabeça ou apenas o cálculo feito por Mendonça pode ter sido errado, mas o passo seguinte não foi o mais acertado. O ministro queria mostrar força dentro da Suprema Corte e decidiu, de forma monocrática, afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. Logo depois, Mendonça enviou a decisão para a segunda turma, e foi prontamente seguido por Luiz Fux e Kássio Nunes Marques. Gilmar Mendes entrou no circuito, pediu vista e adiou o resultado do julgamento, mesmo com a maioria formada.
A
tentativa de mostrar que não estava isolado foi um tiro no pé. As reações foram
as piores possíveis. Diretores e superintendentes da Polícia Federal, num ato
inédito, colocaram os cargos à disposição. A coluna falou com delegados e
agentes da corporação, que saíram em defesa de Andrei. O diretor-geral é muito
bem quisto e, segundo essas fontes, tem uma história extremamente respeitada
dentro da Polícia Federal.
A PF, aliás, dá demonstrações, ano a ano, de ser uma das instituições mais sólidas do Brasil. Com relatórios técnicos, investigações independentes e respeitada mundialmente, a Polícia Federal é orgulho dos brasileiros, independente de governo, juiz ou ministro. A PF que prendeu Lula foi a mesma que pediu a prisão preventiva de Bolsonaro. Os delegados investigam parlamentares da esquerda e da direita. Não há predileção e a população sabe disso.
Lula
entrou no circuito
Ao ver um indicado ser afastado por decisão de minoria da Suprema Corte, Lula buscou respostas. Primeiro, conversou com o próprio Andrei Rodrigues para entender a situação do aliado. Depois, procurou o presidente do STF, Edson Fachin, para uma conversa. Lula foi direto: é preciso levantar o sigilo completo das investigações do Master para passar tudo a limpo.
A partir daí, o gabinete de Fachin se tornou um confessionário. Passaram por lá as duas alas, mas, principalmente, aliados de Moraes. O presidente conversou a portas fechadas com o procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e com os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Os diálogos fundamentais, porém, foram com Cármen Lúcia, ministra low profile e com a reputação totalmente ilibada. Foi dali que saíram as diretrizes que Fachin seguiu para levantar sigilos e marcar sessão extraordinária para tratar da denúncia contra Moraes. O provável fim do inquérito das Fake News foi decisão do próprio Fachin.
Moraes
saiu na frente
Na próxima terça-feira, o plenário do STF se reúne de forma extraordinária para analisar as denúncias contra Alexandre de Moraes. A preço de hoje, a tendência é de adiamento da sessão por pedido de vista.
Após o erro de cálculo, Moraes saiu ganhando a queda-de-braço. O ministro conseguiu aglutinar os apoios de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Mendonça ficou apenas com os apoios de Fux e Nunes Marques. Como Dias Toffoli não deve votar - ele já se posicionou como suspeito em votações sobre o Caso Master, os fiéis da balança serão Fachin e Cármen Lúcia, com tendência de vitória de Moraes.
Flávio
investigado
O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro se tornou formalmente investigado pela arrecadação de dinheiro para o filme Dark Horse, cinebiografia do pai e ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), ao pegar dinheiro com Daniel Vorcaro - mais de R$ 62 milhões - e enviar para os Estados Unidos, Flávio pode ter cometido os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção ativa.
Flávio nega, mas a PF o aponta como interlocutor direto de Vorcaro e já conhecedor da origem ilícita do dinheiro arrecadado. Por mais que Flávio fale todos os dias que o dinheiro era privado, Vorcaro não retirava os valores do bolso: os aportes eram provenientes dos golpes dados pelo dono do Master.
Some a isso a falta de comprovação do uso do dinheiro no filme. Não há notas fiscais, planilha de gastos, emprego total do dinheiro, que, aliás, era enviado para um fundo vizinho a Eduardo Bolsonaro. Batom na cueca que não é fácil de explicar, mas piora: investigadores da Polícia Federal disseram que Mendonça evitaria operações sobre o caso antes das eleições. Por isso que o recolhimento do celular de Flávio, pedido por PF e PGR, não ocorreu.
Governistas
querem fazer Flávio 'arder'
Após a revelação de que o 01 de Bolsonaro é formalmente investigado pelo caso Master, a campanha do presidente Lula prevê que mais revelações vão ser feitas nos próximos dias para, cada vez mais, minar a candidatura de Flávio. Nada de soltar tudo de uma só vez: a ideia é ir liberando escândalos pouco a pouco, para que Flávio 'sangre' dia após dia.
Dá para comparar com o caso Lulinha, que foi explorado pela oposição por mais de duas semanas, todos os dias, com vazamentos de diálogos e até estilo de vida fora do Brasil.
Lula
fica irritado com equipe
O presidente Lula se mostrou extremamente insatisfeito com a campanha ante à ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Na maioria dos números aferidos, o presidente segue oscilando na margem de erro, mas o principal adversário cresceu em quase todos os institutos.
A insatisfação foi tamanha que Lula chegou a sentar-se à frente de um computador para ver e comparar os números. Ele ordenou a mudança de rota na campanha, que vai explorar ainda mais as contradições de Flávio envolvendo participações dele em esquemas de corrupção. No dia seguinte, Lula recebeu no Alvorada uma equipe de TV e vai aumentar a ida a sabatinas. Lula ligou o sinal amarelo na equipe.
Publicado originalmente no O Povo+
Leia também:
PF aponta cobranças de Flávio a Vorcaro e detalha relação sobre Dark Horse

Nenhum comentário:
Postar um comentário
A Administração do Blog de Altaneira recomenda:
Leia a postagem antes de comentar;
É livre a manifestação do pensamento desde que não abuse ou desvirtuem os objetivos do Blog.