20 de janeiro de 2016

FHC diz que Impedimento de Dilma ficou difícil

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que “ficou um pouco difícil” de o impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) avançar no Congresso.

“Francamente, temos visto que o impeachment encaminhado pelas mãos do presidente da Câmara ficou um pouco difícil. [Já que] Ele próprio vai ser impichado”, disse o tucano, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, em referência à possibilidade de o Supremo Tribunal Federal afastar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara.


O ex-presidente, que abriu o seminário “Latin American Investment Conference (LAIC)”, do banco Credit Suisse, no hotel Grand Hyatt, afirmou que não estava ali para defender Dilma, mas que “não basta tirá-la” do governo.

“Sem querer absolvê-la, não basta tirá-la e colocar outro, porque a condição está aí, com o Congresso desse jeito”, disse.

Ao comentar a fala da ex-senadora Marina Silva, que defendeu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acelere a apuração de análise de cassação da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, FHC questionou o processo na Justiça Eleitoral, que tem como autor o seu partido, o PSDB.

“Você anula as eleições e a regra é a mesma? Os partidos são os mesmos? Não faz uma mudança mais profunda na legislação eleitoral? Do ponto de vista nacional, era melhor aprofundar mais a crise política, porque é preciso mudar mais profundamente as regras, fazer mudanças mais profundas no Brasil. Não é pessimismo, mas isso leva anos”, falou.

Um dos principais defensores da cassação da chapa de Dilma e Temer é o senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado pela petista em 2014.

O ex-presidente também disse que o afastamento da presidente da República pode dar espaço para que surjam “demagogos” no cenário político brasileiro.

Sem citar o ex-correligionário Álvaros Dias, que trocou o PSDB pelo PV com a pretensão de disputar a Presidência da República em 2018, FHC afirmou: “Não quero personalizar, mas tem pessoas aí que estão mudando de partido com a pretensão de ser presidente. E são capazes de falar. O problema em um país como o nosso é que a capacidade de expressão, de empenho, de ser ator, conta mais que o resto. Na política contemporânea, político tem que ser um pouco ator. Tem muitos atores que usam o script necessário e depois vão fazem bobagem”, disse.


Com informações Agência Brasil