19 de janeiro de 2016

“O Racismo dos outros de cada dia” por Nicolau Neto

Passou despercebido uma imagem compartilhada pelo professor e secretário geral do Sindicato dos Servidores Municipais de Altaneira (SINSEMA), José Evantuil e,  que reflete o lado preconceituoso e racista.

Sem grandes alardes, como já era de se esperar em tudo o que é publicado ou compartilhado nos grupos criados na rede social facebook, a imagem foi curtida por poucas pessoas. 

Apenas quatro curtiram, dentre elas três possuem formação superior e estão na função de professores e um é egresso do ensino médio. A imagem (como se percebe abaixo) demonstra uma criança negra tendo que escolher entre duas opções. Na primeira – não necessariamente nessa ordem – há três pessoas sugerindo que o menino vá a escola e na segunda outras lhe entregando armamentos.

 Na legenda há uma mensagem que apregoa “a vida é feita de escolhas. Não existe vítima da sociedade”. O passar despercebido e os alardes que não houve com a imagem me causou estarrecimento e igualmente me fez salva-la e reproduzir na minha linha do tempo no Facebook o sentimento de indignação frente aquilo que para mim reforça o lado da casa grande que não foi extinta com o fim do regime escravista no século XIX, apenas ganhou nova roupagem e com discursos que precisam se adequar ao novo modelo econômico da sociedade – o sistema capitalista. 

Tão logo houve o compartilhamento alguns internautas teceram comentários. "Racista e burguesa", disse Darlan Reis Jr, professor de História da Universidade Regional do Cariri (URCA). A professora do município de Crato, Sibelle Eupídio também manifestou indignação ao afirmar "quem dera fosse assim". O mesmo sentimento foi compartilhado pelo altaneirense Júlio Eufrásio que complementou ressaltando “bem fosse assim feito de escolhas, as vezes jovens tem potencial mais na maioria das vezes não tem oportunidade que engloba todas as situação financeira que envolve família etc”. O acadêmico de História André Henrique foi taxativo. “como se os problemas da nossa sociedade fosse apenas escolhas”Igual modo o jurista e blogueiro Raimundo Soares Filho foi mais além e afirmou que o fato reflete a falta de conscientização dos professores. “É profundamente lamentável, mas mostra o nível de conscientização de nossos professores, pontuou. Régia Oliveira, professora do município de Santana Do Cariri frisou o atraso da sociedade. “É meu amigo, assim (des)caminha a humanidade”.

A imagem não tem outra conotação se não a de cunho RACISTA e que induz uma falsa MERITOCRACIA. Ela pode ir sem medo de voltar para a série criada pelo jornalista (que envergonha a classe) Alexandre Garcia (da TV Globo) - "Não existe racismo no Brasil" como adjacência da outra por ele também criada - "O pais não era racista até criarem as cotas". Pode ainda entrar para a seleta coleção de frases feitas por pessoas altamente racista e que tentam a todo custo injetar nos outros a ideia de que o racismo é construído pelos próprios NEGROS e que se parar de falar do racismo ele acaba.

Há que se entender dois pontos na imagem. O menino poderia ser um branco ou um amarelo. Mas diante de uma sociedade que ainda não conseguiu pular o muro do racismo, o menino escolhido foi o negro. Aliás a única escolha na imagem foi a do menino. O segundo ponto. O ser humano (de forma específica o negro, a negra, o índio e a índia) são vítimas da sociedade. É vítima quando há privilégios para uns outros não. É vítima quando se olha para o sistema prisional brasileiro e a maioria esmagadora são negros. É vítima quando se direciona um olhar para a representatividade na política partidária e o negro e a negra, o índio a a índia não se sentem representados. É vítima ainda quando se percebe que o sistema econômico é alimentado por um elitismo e por racismo de enojar. É vítima quando... É vítima quando... É vítima quando... Poderíamos passar horas e horas citando exemplo.

A imagem que foi compartilhada no grupo “Professores de Altaneira” foi retirada (excluída) depois que foi compartilhado por este signatário na rede social Facebook como se visualiza abaixo:

Publicado originalmente Blog Informações em Foco