8 de setembro de 2018

Grito dos Excluídos propõe reflexão sobre desigualdades

Manifestantes realizaram o 24º Grito dos Excluídos pelas ruas do Centro de Fortaleza (Foto: Mateus Dantas)
Uma multidão tomou as ruas do Centro de Fortaleza na tarde de ontem (07/09) em ato clamando por justiça social. Foi a 24ª edição do Grito dos Excluídos, manifestação organizada por movimentos sociais, capitaneada por Pastorais Sociais e Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Igreja Católica.

Com o tema "Vida em 1º lugar", o lema do ato deste ano foi "Desigualdade gera violência: Basta de Privilégios". Os manifestantes voltaram as críticas, sobretudo, às medidas de austeridade implantadas pelo governo Michel Temer (MDB), como o atrelamento do reajuste dos orçamentos para despesas públicas à inflação, na chamada PEC dos Gastos. Além disso, atacaram as reformas trabalhistas e da Previdência.

"Estamos chamando a atenção para a perda de direitos", diz Isabel Forte, assessora técnica da Fundação Cáritas. "Para nós, trabalhadores, que tivemos nossas garantias reduzidas, é preciso retomar a organização, uma coisa que perdemos por achar que não mais precisávamos".

Outra crítica constante foi aos chamados privilégios do Poder Judiciário, como o auxílio-moradia e o reajuste de 16,38% no salário dos magistrados, aprovado em agosto. "Questionamos por que políticos com grandes privilégios, enquanto os trabalhadores têm cada vez menos direitos", diz Ítalo Morais, da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP).

O Grito dos Excluídos partiu do Passeio Público em direção à Praça do Ferreira. No caminho, ocorreram três "paradas reflexivas".

Para as eleições, os líderes do ato conclamaram o boicote a parlamentares que tenham votado a favor das reformas propostas pelo Governo Temer e do impeachment de Dilma Rousseff (PT). Desde 1995 comumente realizado em 7 de setembro, a manifestação ocorreu este ano um dia antes para, conforme a organização, envolver quem esteja em horário de trabalho.

Já na Praça do Ferreira, foram feitos debates, "círculos de cultura", com temas variados, como violência contra mulheres, democratização da comunicação e luta de povos tradicionais. Para João Kennedy, da etnia Tapeba, povos indígenas vão a eventos como o Grito dos Excluídos para mostrar que existem. São espaços para retomar as principais lutas indígenas, ele diz, contra o preconceito e pela demarcação de suas terras.

Com informações portal O Povo Online