7 de setembro de 2018

Bolsonaro não é Eduardo Campos por Alex Solnik

Imagem capturada de vídeo compartilhado nas redes sociais
Não acredito que a tentativa de homicídio de Jair Bolsonaro provoque uma onda de comoção e cacife a candidatura. Logo após a facada, um de seus filhos disse que acabavam de eleger o novo presidente, no primeiro turno. Outro filho estaria preocupado com a saúde do pai e não com votos. Mas ele se enganou.

Onda de comoção ocorre quando a vítima é "do bem". A expressão é horrorosa, mas não encontro outra. A morte de Eduardo Campos, por exemplo. Era um candidato bonzinho, não agredia ninguém, tinha olhos verdes, simpático, sorridente. Aquele genro que toda mãe quer ter. Rejeição zero. Todo mundo ficou triste quando seu avião caiu. Penalizado. Marina, que o substituiu, quase ganhou em seu lugar, impulsionada pela tragédia.

Não é o caso de Bolsonaro. Ele é o oposto de Eduardo Campos. É vilão e não mocinho. E sempre fez questão de desempenhar o papel, principalmente nos últimos dias, quando resolveu simular fuzilamento em praça pública. Não é simpático, nem afável, nem sorridente, agride mulheres e minorias, defende torturador.

Ou seja, o sentimento que provoca, mesmo quando é vítima, nunca é de pena. Os seus simpatizantes (20%) podem até ficar comovidos. Mas não os que o rejeitam (40%).

É mais provável que a sua rejeição aumente. O episódio derrubou a sua principal bandeira. Mostrou que nem ele consegue se defender sozinho de um agressor, mesmo cercado de seguranças, portanto sua proposta de armar as pessoas é furada. Mostrou também que o candidato que promete acabar com a violência não só não acaba com ela, como a atrai.

E o eleitor normal não quer um presidente da República que traga mais violência.

Publicado originalmente no portal Brasil 247