30 de maio de 2014

Cid cita ação da PF para justificar demora em escolha de candidato

O governador Cid Gomes (Pros) evitou comentar a investigação da Procuradoria Regional Eleitoral a eventos políticos do PMDB, mas não se conteve em reafirmar a decisão do seu partido em deixar a escolha do candidato à sucessão para o período estabelecido pela regra eleitoral, entre 10 e 30 de junho. 

“Talvez se a gente já tivesse candidato ele estivesse, hoje, sendo alvo de operações da Polícia Federal”, destacou Cid. O governador disse que não comentaria as insinuações do senador Eunício Oliveira, pré-candidato do PMDB ao Governo, mas afirmou esperar que, no dia em que Eunício tiver algo para tratar com ele, o faça diretamente com o governador, “como eu sempre fiz com ele”, disse Cid. 

Para o chefe do Executivo, as relações eleitorais estão se tornando “subjetivas” e citou as mudanças de decisões judiciais em relação aos eventos do PMDB. “Candidatura antecipada é uma coisa que eu sempre critiquei. A gente não tem liberdade para fazer o que quiser, a gente tem de seguir a lei sempre”, pontuou. Cid reiterou que, até o final de junho, o Pros deve divulgar “candidatura própria ou de um partido parceiro” para o Governo do Estado.

A Polícia Federal cumpriu ontem (29/05) mandados de busca e apreensão na Câmara Municipal de Fortaleza e na sede do PMDB na Capital. Segundo o titular da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), Rômulo Conrado, a ação faz parte de investigação do órgão sobre possível uso da máquina da Casa para beneficiar pré-candidatura de Eunício Oliveira (PMDB) ao Governo.

De acordo com o procurador, a PF foi à Câmara recolher documentos envolvendo denúncia de que veículos oficiais do Legislativo teriam sido usados para transportar vereadores de Fortaleza para eventos pró-Eunício no Interior. Em março deste ano, pelo menos 12 vereadores da Capital compareceram a evento do PMDB em Croatá. Segundo o procurador, a PRE requisitou informações sobre o caso à presidência da Câmara, que negou as acusações mas não ofereceu documentação completa sobre a denúncia. “Por conta disso, pedimos que a PF recolhesse essas informações, para investigação completa”, disse ao jornal O POVO.

Na sede do PMDB em Fortaelza, a PF realizou batida em busca de elementos de suposta propaganda antecipada de Eunício, tais como blusas, apitos e jornais. Segundo o MP, esses itens vêm sendo distribuído em eventos do partido.

Eunício Oliveira disse estar “pasmo e indignado” com as batidas da PF. Classificando denúncia que motivou a ação como fruto de “arapongagem”, o senador insinuou que acusações viriam de “partidos que não querem ouvir a sociedade”. “O PMDB não fez nada de errado, estava apenas ouvindo a sociedade. Existem partidos que não querem ouvir a sociedade, acham que ela não pode participar. Aí não querem que os outros ouçam”, disse o senador ao jornal O POVO.

Durante pronunciamento, o presidente da Câmara, Walter Cavalcante, negou uso eleitoral da estrutura da Casa. “Quero afirmar com toda a convicção e veemência que, em nenhum momento, foi utilizado qualquer recurso da Câmara para pré-campanha eleitoral, como também não foi feito em outras gestões. Já passei todas informações à Procuradoria, inclusive, que os vereadores foram ao evento do PMDB com o transporte pago pelo partido”, declarou.

Com informações O Povo Online