23 de maio de 2015

Motoristas de ônibus vivenciam os riscos de ser ciclista em curso

Segundo a empresa, com o treinamento, já foi possível reduzir indicadores de acidentes com e sem culpa em relação a 2014 (Foto: Tatiana Fortes)
“Passe devagar, homem, pelo amor de Deus!”. O apelo do “ciclista” Anailton Brasileiro, 36, vinha acompanhado de um encolhimento do corpo e fechar nos olhos, como quem diz: “é agora!”. Isso acontecia a cada vez que o ônibus passava rente à bicicleta, “tirando tinta”, como ele mesmo diz, durante o treinamento da empresa Vega. A iniciativa tem o objetivo de fazer com que os motoristas de transporte coletivo sintam, na pele, a sensação de ser desrespeitado por um ônibus. 

Mas, principalmente, o intento maior é a mudança de atitude no trânsito. A ideia do curso, intitulado Comportamento e Atitudes Eficazes no Trânsito, com duração de oito horas, é simples e tem se mostrado eficaz. Dentro da garagem da empresa, dez motoristas recebem aulas teóricas sobre as regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Em seguida, eles são convidados a inverter os papéis. Em cima de bicicletas e motos, ficam parados aguardando a ultrapassagem de um ônibus. O coletivo passa em duas situações: como acontece no trânsito e como deveria ser. Assim, os guias de ônibus vivenciam situações de ultrapassagem da perspectiva do ciclista e do motociclista.

De acordo com a empresa, os dados do mês de abril já mostram melhorias nos resultados dos indicadores. “Reduzimos em 33% o número de acidentes com culpa, em 50% o indicador de acidentes sem culpa e em 50% o número de viagens perdidas por colisão em relação ao ano passado”, comemora Cléo Falcão, gerente de Desenvolvimento Humano da empresa. Até agora, já passaram pelo curso 140 dos 534 motoristas.

A capacitação, inclusive, é ministrada por um dos colaboradores da empresa: Valdir Gomes Santos, conhecido como G. Santos, foi capacitado para ser instrutor. “Ninguém melhor que um motorista para entender as dificuldades que a gente passa todos os dias. E esse foi um pedido da própria categoria, de ter uma formação voltada para a nossa atividade”, compartilha o instrutor.

Motorista há 18 dos 50 anos de vida, Antônio Cláudio Fernandes Moura confessa, até o curso, nunca ter parado para pensar nas dificuldades que guias de bicicletas e motos passavam. “Deus me livre de acontecer alguma coisa. Nós, motoristas, somos os responsáveis por eles”, ensina.

Já o motorista Anailton Brasileiro confessa nunca ter pensado na fragilidade de um ciclista. Ele deve aumentar, a partir de agora, a cautela. “Principalmente porque Fortaleza tem cada vez mais ciclistas novos e que ainda não conhecem as regras por não ter prática”, finaliza.

O presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira, informou, por nota enviada através da assessoria de imprensa, que todos os motoristas passam por treinamento introdutório e treinamentos cíclicos. Ele afirma que, atualmente, o foco dos treinamentos tem sido os ciclistas, pela tendência de aumento da utilização das bicicletas nos deslocamentos diários dos fortalezenses.


“Ao mesmo tempo, introduzimos no conteúdo novas regras de convívio no trânsito voltadas para o respeito dos espaços organizados, que agora ordenam a ocupação do espaço viário separando transporte coletivo, ciclistas, pedestres e transporte individual e misto”, assinalou.

Desde o último dia 11, a Prefeitura começou as modificações em vias secundárias no entorno do binário do Montese. O objetivo é desafogar o trânsito e priorizar o transporte público e o não-motorizado.

De acordo com Victor Macêdo, do Paitt, após as obras nas vias secundárias, o foco da requalificação serão as duas vias do binário, que já foram recapeadas, mas ainda receberão ciclofaixa e faixa exclusiva para ônibus.

Com informações O Povo Online