10 de março de 2018

Palanque de Camilo pode ter três candidatos ao senado


Presidente estadual do PDT, o deputado federal André Figueiredo saia na tarde de ontem do gabinete do governador. Na antessala de Camilo Santana (PT), a coluna o questionou sobre a aliança com o senador Eunício Oliveira (MDB). “Ainda muita água vai rolar”. 

Ele destacou que a prioridade para o partido é a reeleição do governador e a candidatura de Ciro Gomes (PDT) a presidente da República. A seguir, foi bastante assertivo sobre a maior pendência na chapa: “O PDT não vota em Eunício Oliveira”, falou em tom que soou definitivo.

Ciro já havia afirmado ao O POVO que a aliança com o MDB no Ceará teria de ser submetida ao comando nacional. 

“Nós do PDT temos tradição de respeitar a autonomia das instâncias locais. Entretanto, nós aprovamos, para valer para o País inteiro, uma resolução em que, se a coligação tiver de se explicar, tiver contradição, tipo essa, o assunto tem de ser levado para a executiva nacional para exame e deliberação. Portanto, será um diálogo entre a sessão local, que é presidida pelo deputado André Figueiredo, e o diretório nacional”, afirmou Ciro, em entrevista que O POVO publicou na última quarta-feira. 

Protagonista dos bate-bocas mais virulentos com Eunício, Ciro afirmou, na mesma entrevista, que a relação antes conflituosa “distensionou bastante”. E acrescentou: “Não serei eu a criar um obstáculo”. O problema, porém, tem vindo da cúpula nacional.

Na semana passada, O POVO já havia mostrado que o presidente nacional Carlos Lupi é contra o acordo eleitoral com Eunício. “A gente está acusando, denunciando, como a gente vai estar junto (do MDB)?”, questionou, levando em consideração a situação nacional. Ele defendeu duas candidaturas pedetistas a senador no Ceará: Cid Gomes e André Figueiredo.

Na conversa ontem, Figueiredo deu a senha do caminho que se desenha: Camilo pode até apoiar Eunício - e tudo caminha para isso acontecer. Porém, o PDT pode não compor a aliança com o MDB. É possível que a base camilista tenha aliança com Cid Gomes, Eunício e André Figueiredo. Serão duas vagas em disputa.O PESO DO PDT

Não deixa de ser curioso que o PDT tenha resistência a se aliar ao MDB - o “partido do golpe” - e o PT não tenha. Camilo é evasivo sobre qual a influência o eventual veto do PDT pode ter à aliança com Eunício. Indaguei se o partido da família Ferreira Gomes teria poder de veto à aliança. “Nós vamos tratar no momento certo”, disse, rindo em seguida.

O governador indicou a aliança como tendência. “É natural que haja aproximação cada vez maior”. Entretanto, ele ressaltou que a decisão não é só dele. “Não depende simplesmente só do governador. A questão está sendo discutida com lideranças, com partidos da base. Isso deverá ser consolidado, ampliada a discussão até os prazos legais para as coligações”.

Complicador extra é o cenário nacional. Camilo é do PT, que deve ter candidato a presidente. O PDT, por sua vez, tem Ciro na disputa. Eunício tem declarado apoio a Lula, que nem se sabe se concorrerá. Camilo se equilibra entre as contradições de sua base de apoio.

Publicado originalmente no portal O Povo Online