18 de março de 2018

Vida de Marielle virou multidões no país


“A morte de Marielle fez a vida.” A frase é de Cláudia Leitão, ex-titular da Secretaria da Cultura do Estado. Pesquisadora e diretora do Observatório de Fortaleza, ela tinha recebido com pasmo a notícia de que a amiga fora assassinada. Poucos dias antes, havia participado do lançamento do livro O golpe na perspectiva de Gênero em Salvador, na Bahia.

A obra, uma coletânea de artigos, inclui um time de 15 mulheres. Elas escrevem sobre a participação feminina na política. Aos 38 anos e parlamentar de primeiro mandato (a quinta mais votada no Rio), Marielle Franco era uma delas.

A fala de Cláudia condensa um sentimento. O de que há um antes e um depois do assassinato da vereadora carioca, morta na última quarta-feira. “Esse movimento que a Marielle está ativando, essa potência dela, vai no caminho contrário do esquecimento”, avalia a também professora.

Naquela quarta, pouco depois das 21h30min, o nome da parlamentar deixou de pertencer apenas ao Rio de Janeiro. Da tragédia numa cidade às vésperas de completar um mês sob intervenção federal, Marielle difundiu-se via redes sociais. Tornou-se assunto coletivo. Ultrapassou fronteiras, despertando atenção da imprensa e órgãos internacionais.

O Brasil foi interpelado publicamente. Símbolo de resistência à ditadura militar, a Cinelândia voltou a encher-se. Multidões prantearam a ativista. Nas praças, cartazes fixavam a mensagem para além do desaparecimento súbito: “Marielle presente”. Diziam da falta, mas também da força.

Filósofa e pesquisadora, Olga Paiva enxerga um aspecto positivo na barbárie que arrastou a vida de Marielle. “A repercussão que está tendo essa violência é muito positiva no sentido de sensibilizar as pessoas”, disse. Para ela, o Brasil precisa ir agora da “sensibilização que comove e partir para uma atitude”.

O portal O POVO traz hoje quatro análises sobre o impacto da morte de Marielle e sua repercussão na vida de um país sob grave crise de segurança.

Além de Olga e Cláudia, refletem sobre a tragédia o defensor-geral Carlos Eduardo Paz e o ex-subsecretário de Direitos Humanos da Presidência Mario Mamede. Comum a todos, a certeza de que a morte de Marielle precisa ser um ponto de virada.

Com informações portal O Povo Online