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| Esta é a segunda vez consecutiva que o Orós sangra (Foto: Reprodução/Instagram) |
Uma notícia animou os cearenses na semana que passou. Numa terra em que a chuva é bem-vinda, comemorou-se a sangria do segundo maior reservatório do Ceará, o açude Orós. Localizada na Bacia do Alto Jaguaribe, a barragem registrou volume de 88,93% da capacidade total na terça-feira (14/4) e alcançou o seu máximo na manhã de quarta (15/4), conforme os dados do Portal Hidrológico do Ceará, da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Ainda na noite de terça-feira, O Governo Municipal de Orós publicou imagens mostrando a água que vertia, aos poucos, pela parede do reservatório. O cearense do Interior sabe do êxtase que é esperar "a parede molhar" como um sinal de esperança e de boas perspectivas. Pelas redes sociais, a gestão municipal festejou o momento: "O açude sangrou nesta quarta-feira 15 de abril, trazendo alegria, esperança e renovação para o nosso povo".
Assim, ao longo de todo o primeiro dia da sangria, moradores e demais visitantes foram conferir de perto as águas que jorravam. Era dia de festa e, sobretudo, de lembrar que o abastecimento de água estava garantido por alguns meses e que a agricultura e a indústria se beneficiariam também do volume atingido de água.
O Orós tem a capacidade máxima de 1,94 bilhão de metros cúbicos (m³) de água e atua no abastecimento de cidades do Jaguaribe e, pontualmente, da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Nomeado como Barragem Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, foi construído em 1962 pelo Dnocs e apresenta múltiplos usos, como a perenização do rio, a irrigação das regiões do Médio e Baixo Jaguaribe, a piscicultura e o turismo.
Até o ano de 2002, ele era o maior reservatório do Estado. Perdeu a posição com a construção do açude Castanhão, que tem capacidade de acumular 6,7 bilhões de m³ de água. Desde o fim de fevereiro deste ano, conforme foi definido pelos Comitês de Bacia dos Vales do Jaguaribe e Banabuiú, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) faz a transferência das águas do Orós e do Castanhão para o sistema integrado que atende Fortaleza e municípios da Região Metropolitana.
Esta é a segunda vez consecutiva que o Orós sangra. Em 2025, o nível máximo foi atingido em 26 de abril, após 14 anos sem extrapolar a capacidade. O momento foi considerado histórico para a região - e para todo o Ceará. O último ano em que o açude Orós havia sangrado, antes do ano passado, foi 2011. Desde 1975, o evento de sangria já foi registrado em 12 anos, sendo este, de 2026, o 13º caso de sangria do reservatório.
Além
disso, mais de 20 açudes estavam sangrando no Estado até semana passada. A
segurança hídrica que acompanha a sangria dos açudes, somada à irrigação
agrícola e ao abastecimento das comunidades, é um sinal de renovação e
abundância para o sertão.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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