1 de abril de 2026

Lula confirma Alckmin como vice na chapa de reeleição

Lula e Alckmin repetem a chapa vitoriosa de 2022 (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta terça-feira (31/3) que manterá o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) Geraldo Alckmin em sua chapa. A fala ocorreu durante reunião ministerial, no Palácio do Planalto, para anunciar a saída de ministros que vão concorrer nas eleições de outubro.

“O companheiro Alckmin, que vai ter que deixar o Mdic. Ele vai ter que deixar, porque ele é candidato a vice-presidente da República outra vez. Ele vai deixar o Mdic”, discursou o líder petista no início do encontro, que inclui todos os ministros do governo e os substitutos.

É a primeira vez que Lula confirma Alckmin em sua chapa. Nos bastidores, o presidente chegou a cogitar oferecer a vaga de vice para um partido de centro, como o MDB, como tentativa de ampliar as alianças eleitorais.

Lula chegou a dizer, publicamente, em fevereiro, que Alckmin teria “um papel a cumprir” em São Paulo. A fala foi interpretada como um recado para que o vice-presidente concorresse a um cargo em seu estado. Alckmin, porém, descartou a possibilidade e disse a aliados que só participaria das eleições para ser vice novamente.

Segundo Lula, 14 ministros deixaram o cargo ontem, e outros quatro podem anunciar a saída até sábado (4/4), quando termina o prazo de desincompatibilização.

Lula afirma que "o país está infinitas vezes melhor"

Na reunião ministerial  em que Lula se despediu de titulares de pastas que sairão para concorrer às eleições, ficou claro que a estratégia de campanha será comparar os avanços conquistados na gestão petista em relação à do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula e ministros enfatizaram, especialmente, a evolução dos indicadores sociais.

Lula ressaltou que recebeu um Brasil destroçado. "Vocês contribuíram para que este país voltasse à normalidade e pudesse chegar a uma situação muito melhor do que aquilo que nós encontramos, infinitas vezes melhor. E que nós temos a obrigação de continuar fazendo com que melhore", destacou. "O país foi montado para não funcionar, e todos vocês sabem como o encontraram. E hoje este país está montado para funcionar."

Ele destacou o trabalho de recuperação dos ministérios e enalteceu o empenho de cada titular, em relação a outros governos e, sobretudo, ao anterior. "Não tenho dúvida nenhuma de que nós fizemos infinitamente mais, com mais precisão, com melhor qualidade, com o objetivo de atender os interesses do povo brasileiro", frisou. "A máquina está em andamento, e nós temos muito o que concluir até 31 de dezembro", acrescentou o presidente, dizendo-se "muito otimista".

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, exibiu gráficos com as realizações do governo e disse que a gestão petista reorganizou as políticas públicas. Entre outras realizações, mencionou a saída do Brasil do Mapa da Fome; a queda da pobreza e da extrema pobreza, com programas como de transferência de renda; a redução da desigualdade de renda; e a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

"Mentiras se combatem com dados, com verdade. Acho que nós temos de massificar essas informações e superar a versão com os fatos", afirmou. "Quando 40% da população responde numa pesquisa que está se informando via zap é porque está tendo a informação enviesada, unilateral, e é preciso que a gente alcance as pessoas, que elas tenham acesso às informações e ao trabalho que foi feito pelo governo."

Rui Costa deu uma estocada no ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeiras. "Minha dúvida, Sidônio, é se o povo sabe disso. Temos de colocar como foco comparar (os governos Lula e Bolsonaro)", enfatizou. Pouco depois, insistiu: "Mais uma vez, Sidônio, o povo tem o direito de saber desses gráficos."

Por sua vez, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu "e isso gerou mais oportunidade de trabalho". "O desemprego caiu. A renda das pessoas aumentou, com a inflação para o mandato presidencial mais baixa da história", disse. "A gente aumentou a capacidade de aquisição das pessoas, então as pessoas têm mais renda e têm mais condição de ter uma vida melhor.

Saída de ministros

A troca inicial de ministro no governo será em 14 das 38 pastas. Outras quatro devem passar por mudanças até sábado, quando acaba o prazo para desincompatibilização.

A maioria dos ministros que deixam o cargo nesta semana será substituída pelos seus secretários-executivos, os segundos na hierarquia, ou por secretários especiais do governo. A exceção, até o momento, é o Ministério da Agricultura e Pecuária, que era comandado por Carlos Fávaro e passou para André de Paula, até então ministro da Pesca. Eles são do mesmo partido, o PSD, e Fávaro disputou a reeleição como senador pelo Mato Grosso.

No discurso, Lula incentivou a candidatura de seus ministros, após elogiar os resultados entregues até agora pelo governo. Para o petista, a política "piorou muito" nos últimos anos, inclusive com desgastes institucionais, e seus aliados têm como missão melhorar o cenário político.

"O importante é que vocês estejam convencidos da importância da participação de vocês. Da importância do cargo que vocês estão disputando. Que vocês estejam dispostos a entrar na vida congressual, na vida parlamentar, para ajudar a mudar a promiscuidade que está estabelecida na política mundial e na brasileira", afirmou. "Eu não canso de dizer que a política piorou muito. Hoje, ainda tem muita gente séria, que faz política com 'p' maiúsculo. Mas a verdade é que, em muitos casos, a política virou negócio."

Em sua maioria, os ministros vão concorrer a cadeiras no Senado e na Câmara, e a um eventual governo de estado. "Nós chegamos hoje a uma situação de degradação, inclusive, de algumas instituições. É possível consertar isso? É, através da política. Daí a necessidade de vocês serem candidatos. Porque é possível mudar, e isso vai mudar", frisou Lula.

O presidente comentou ainda sobre a decisão de substituir os ministros pelos secretários-executivos, e cobrou continuidade na gestão. "Eu tomei como decisão não ficar colocando ministro novo. A obrigação de quem vai ficar é concluir, e fazer com que a máquina continue funcionando, sem paralisia", destacou.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

Leia também:

Saiba quem são os pré-candidatos a presidente da República

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A Administração do Blog de Altaneira recomenda:
Leia a postagem antes de comentar;
É livre a manifestação do pensamento desde que não abuse ou desvirtuem os objetivos do Blog.