1 de abril de 2018

As consequências de um acirramento político no Brasil


O crescimento do acirramento político no País pode trazer consequências ainda impensadas. A ruptura democrática, o que parece impossível para o momento, já surge na roda de discussão dos formadores de opinião no campo acadêmico como risco iminente. “Espero que algumas pessoas de bom senso consigam ter papel de apagar esse incêndio”, é o que defende a historiadora Dulce Pandolfi, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Pandolfi diz que a imprensa, que segundo ela teve responsabilidade no alimento ao ódio, pode ter papel importante nesse processo de reconstrução da democracia no Brasil. Aos olhos da socióloga, a possibilidade de as eleições de outubro estarem impedidas de acontecer pela onda de intolerância nas ruas é algo “trágico”. 

“O caminho não deve ser suspender as eleições, o caminho é que algumas figuras de bom senso consigam entender que têm que recuar e buscar conciliação, virar para as suas bases e encontrar uma solução para a situação”, defende a pesquisadora.

O professor de Ciência Política, Adriano Gianturco, do Ibmec de Minas Gerais, cita o pesquisador norte-americano Jonathan Haidt ao lembrar que “a política é tribalismo e o homem é essencialmente tribal” no sentido de lidar com o diferente e, em muitas oportunidades, partir para o enfrentamento.

“Geralmente as pessoas têm pouco contato com quem pensa diferente, e o ódio parte dessa polarização”, pontua Gianturco. 

O professor lembra o filósofo alemão Carl Schmitt para explanar o modo de fazer política na atualidade. Ele diz que a atividade no País é caracterizada pela dicotomia “amigo-inimigo”. O discurso do “nós contra eles” tem, conforme argumenta o professor, alimentado o discurso de ódio. 

O sentimento odioso que se consolidou nas redes sociais e agora ganha as ruas pode trazer consequências graves para a democracia como a dificuldade da realização do pleito de outubro, segundo Ginaturco. Ele ressalta, porém, que a situação pode ser ainda pior. “A campanha eleitoral nunca acontece em condições perfeitas, agora, sinceramente, me preocupa mais a vida normal da população”, afirma.

A prática raivosa da política, ainda conforme Gianturco, é praticada no mundo inteiro através dos chamados “extremistas”. No Brasil, conta, o número de integrantes desses movimentos tem crescido. E preocupado. 

“Eu acho que, em parte, em todos os países, sempre você teve grupo de militante de extrema esquerda e direita, isso é normal. Agora, são grupos muito minoritários, mas claro os conflitos entre eles são tensos e isso é grave. Esses grupos, no entanto, estão ficando um pouco maiores e envolvendo mais pessoas”, revela o pesquisador do Ibmec.

Com informações portal O Povo Online