20 de abril de 2018

Quem é quem na Câmara de Altaneira? por Nicolau Neto

Plenário da Câmara Municipal de Altaneira (Foto: Júnior Carvalho)
Passados pouco mais de um ano e três meses de atuação da nova composição do legislativo municipal de Altaneira o que mais tem chamado a atenção de altaneirenses – tanto dos que aqui residem quanto dos que estão em outros municípios pertencentes a outros estados da federação -, é a mudança constante de postura e de posicionamentos dos “legisladores/as e fiscalizadores/as” do município.

Em um passado não muito distante era fácil perceber quem era os da base de sustentação do prefeito e aqueles/as que faziam oposição. Hoje está bem difícil identificá-los, identificá-las. Os que antes faziam “tempestade em um copo d’água” e denunciavam tudo, mesmo aqueles fatos que para uma oposição inteligente bastava um diálogo consistente com o gestor para sanar a situação, o ignorava e iam à rádio e aproveitavam as sessões ordinárias para expor os fatos. Ainda assim, exerciam seu papel. Algumas ações inclusive foram dignas de aplausos. Fazer oposição em um regime democrático é saudável para toda e qualquer gestão.

Ter também alguém da base de sustentação a administração que executa com destreza críticas construtivas ao gestor ou gestora, seja prefeito ou secretários/as é ótimo para a gerência dos recursos públicos. Isso facilita os acertos e dificulta, quando não diminui drasticamente os erros. Mas essa é uma missão bem mais difícil, visto a forma como muitos entendem a política partidária, como o dever de quem é oposição é criticar e apontar erros sem especificar soluções e a obrigação da situação é elogiar e detalhar as ações executadas e as que serão feitas sem se preocupar como que os recursos estão sendo gastos.

Mas me permita voltar ao que me propus analisar. Desde que esse novo retrato da Câmara passou a atuar que não se consegue mais identificar quem é quem por lá. Não é possível mensurar com clareza quem é oposição e quem é situação. Isso poderia até ser um ponto positivo para o município, se nessa seara todos e todas estivessem a um só tempo a cumprir realmente o que manda o regimento da Câmara e a Lei Orgânica do Município. Se todos/as a uma só voz estivessem a cumprir seu papel e a representar de fato e de direito os cidadãos e cidadãs altaneirenses. Mas tudo por lá está do avesso. Quem falava demais não fala tanto e até se omite em muitos casos.

Há inclusive em alguns raríssimos momentos inversão de papeis. Quem é oposição executa o de situação. O contrário também é verdadeiro. Existe também aqueles que estão iguais a isopor em água. O caso mais emblemático de inversão de papéis para a forma tradicional de entendimento de política partidária foi percebido na sessão ordinária desta quarta-feira, 18.

Flávio Correia (SDD) fez um discurso firme e consistente que há dois anos atrás seria realizado por outro parlamentar. “Não participo mais de reuniões” governamentais, pois só tenho me desgastado. “Gosta de cobrar e o governo não gosta de cobrança” disse Flávio. O edil que bem recentemente já exerceu o papel de líder do governo foi categórico. “Não aceito mentiras e corrupção”, disse e complementou ao afirmar que quando tentou opinar, não era ouvido.

Mas mesmo que a angústia de Flávio seja momentânea e que não mais se repita com essa efervescência toda, o discurso dele na sessão não foi replicado, sequer comentado pelos pares como em anos anteriores seria. Realmente, pela casa do povo onde este tem frequentado cada vez menos, está tudo do avesso. O assunto tratado por um não tem sequência, em termos de debates.

A Câmara está indo dos discursos e desavenças pessoais de outrora ao despego pelo debate, pelo bom embate político em prol do crescimento com desenvolvimento do município. A busca pela renovação no legislativo municipal é cada vez mais necessária.

Publicado originalmente no Blog Negro Nicolau