2 de abril de 2018

STF e a decisão que, seja qual for, desagrada metade da população por Carlos Mazza

Plenário vazio do STF (Foto: Divulgação)
Seja qual for o veredito, o Supremo Tribunal Federal (STF) entrará no centro da crise mais uma vez nesta quarta-feira (04/04). Encarregado de julgar o pedido de habeas corpus da defesa do ex-presidente Lula no caso do triplex do Guarujá, o STF será incapaz de chegar a uma decisão que não desagrade boa parte da população.

Caso liberem a tão debatida prisão em 2ª instância, os ministros terão de lidar com hordas enfurecidas que os acusarão de rasgar a lei e a Constituição, de fazer pouco caso das instituições da democracia brasileira. Caso impeçam o instituto, considerado vital para o prosseguimento de investigações da Lava Jato, serão acusados da mesma coisa. Só que por outra horda.

Fora da Corte, não há mais debate ou qualquer análise jurídica dos fatos. Os lados de cada um já estão escolhidos há anos. A ironia é que, nessas horas em que é impossível agradar gregos e troianos, caberiam bem a discrição e coerência esperadas do Judiciário.

Discrição e coerência que, nos últimos anos, vêm sendo dilapidadas pela própria Corte em declarações despropositadas à imprensa, decisões controversas e até barracos no plenário. No fim de semana, defensores de intervenção militar em Fortaleza faziam mais ataques a ministros do Supremo do que a políticos. Seja lá como votarem, os ministros dormem na quarta-feira na cama que ajudaram a fazer.

Publicado originalmente no portal O Povo Online