20 de abril de 2018

"Não convenci a mim mesmo que devo ser candidato", disse Joaquim Barbosa

Ex-ministro Joaquim Barbosa chega para encontro com dirigentes do PSB (Foto: Dida Sampaio)
O PSB considera que o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa está alinhado às diretrizes do partido para a economia. Barbosa, que poderá disputar a Presidência pela legenda, costuma se definir como um social-democrata, adepto da responsabilidade fiscal, mas defensor também de um Estado indutor do desenvolvimento social.

A um interlocutor, o ex-ministro do STF afirmou que sua história de vida, marcada pela superação da pobreza, não lhe permite abraçar um projeto ultraliberal ou defender o “capitalismo selvagem”.
  
No encontro com cúpula e principais líderes do partido ontem, em Brasília, Barbosa recebeu a cópia de um documento da Fundação João Mangabeira - braço teórico do PSB - com os princípios que devem nortear o eventual futuro programa de governo da legenda.

O nome de Barbosa ganhou força como candidato à Presidência após a mais recente pesquisa Datafolha, na qual alcança entre 8 e 10 pontos porcentuais de intenção de voto.

Na reunião do PSB, o ex-ministro do STF frustrou os correligionários mais animados ao não assumir a pré-candidatura. “Há dificuldades dos dois lados. O partido tem sua história e eu tenho minhas dificuldades do lado pessoal. Não convenci a mim mesmo que devo ser candidato.”

Ele, porém, não escondeu a satisfação com o desempenho na pesquisa. “Olha, para quem não frequenta ambientes públicos, órgãos públicos, não dá entrevista, leva uma vida pacata, está muito bom, né?”.

As resistências internas ao nome de Barbosa, concentradas nos governadores Márcio França (São Paulo) e Ricardo Coutinho (Paraíba), são consideradas pontuais pela direção da sigla.

A avaliação é que a candidatura depende do ex-ministro. No longo processo de negociação que culminou com a sua filiação, há cerca de duas semanas, Barbosa ouviu e defendeu teses convergentes com o pensamento majoritário do PSB, conforme dirigentes.

Nas conversas com deputados, Barbosa defendeu programas de transferência de renda, ampliação do acesso às universidades, manutenção do Bolsa Família e admitiu um projeto de privatização que não chegue a setores estratégicos.

“A posição que o Joaquim nos colocou sobre privatização é a mesma que a nossa: não tem que ficar com o setor de portos, aeroportos e estradas”, disse o líder do PSB na Câmara, Júlio Delgado (MG). Neste caso, estatais como Petrobras e Eletrobrás ficariam fora do programa.

Outro tema tratado nas conversas reservadas entre o ex-ministro do STF e o PSB foi a reforma da Previdência. Quando integrava o Supremo, Barbosa votou pela constitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária de servidores aposentados, no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais recentemente, ele já se manifestou a favor de uma reforma do sistema de aposentadorias, mas contra o projeto do governo de Michel Temer.

Com informações portal O Povo Online