3 de abril de 2018

O fantástico mundo dos nossos governantes por Carlos Mazza


Pesquisa realizada por instituto francês crava: o brasileiro é o 2º povo com menos noção da própria realidade no mundo. Uns lesados, bem dizer. Para quem acompanha comentários em páginas de notícias no Facebook, a única surpresa é descobrir que não somos os primeiros. 

O fenômeno, no entanto, não se limita ao brasileiro médio com um celular e acesso à internet. Mas também àqueles que, seja pela via direta do voto ou da indicação política, tiramos do rebanho e alçamos para chamar de líderes.

Basta voltar um pouco e ler as tais notícias. Em fevereiro deste ano, o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra (MDB), deu a dizer que a “política de drogas do Brasil era totalmente errada”. Disse que o País precisava urgentemente parar de “liberar as drogas”, prática influenciada por “ideologias” e que não teria “funcionado em lugar nenhum do mundo”. Não vou nem entrar no mérito das políticas bem sucedidas de descriminalização mundo afora (Amsterdã na Holanda, Colorado nos EUA). 

Só fiquei curioso sobre onde fica esse Brasil que está “liberando” as drogas, causa de um a cada três encarceramentos do País em 2017, segundo levantamento do G1. Algumas semanas depois, a secretária de Justiça do Ceará, Socorro França, engrossa o coro sobre os perigos de uma nova abordagem com drogas. Segundo ela, a legalização de alguns tipos de entorpecentes leves, como a maconha, poderiam criar -pasmem - uma “legião de zumbis”.

Mais uma vez, me pergunto se vivo na mesma cidade da secretária. Essa Fortaleza mágica onde a proibição impede alguém de usar qualquer coisa, a Praça do Ferreira é um brinco e onde a maconha não é mais comum e barata que pão francês. O Brasil é o 2º maior consumidor de cocaína do mundo, diz a ONU. Cocaína, uma droga cara, muito pouco associável a “zumbis”. 

Somos mortos-vivos de luxo, uma terra onde a maconha é proibida na lei, mas liberada para enricar bandidos da pior espécie. Vai ver é disso que Osmar Terra se referia. E assim, seguimos sem noção. É óbvio hoje que é nas prisões que o crime recruta, ordena chacinas, se organiza? Reduz a maioridade penal, prende mais maconheiros, abarrota as cadeias. Pode confiar, vai dar certo. Bem que o governador disse que estava tudo sob controle.

 Publicado originalmente no portal O Povo Online