12 de janeiro de 2014

Cristianismo e outras religiões por Ana Valéria Moraes

Tenho lido ou assistido a muitas coisas que divergem do pensamento cristão. Sinceramente, sinto uma atração pelo modo de pensar dos adeptos de outras religiões ou dos ateus, porque a partir do ponto de vista deles, questiono o meu, fazendo um exercício saudável de readequação e posicionamento.

Foi pensando nisso que li recentemente o capítulo seis de Mateus, percebendo que boa parte da extensão daquele material aborda o modo de orar. 

Quando Jesus, ensinando seus discípulos a orar, diz que estes não precisam usar de repetições tolas e esclarece que Nosso Pai sabe antecipadamente do que necessitam (7,8) e, mais à frente ele diz, ao exortá-los, que não precisam pedir por comida, bebida ou roupas, repetindo que Nosso Pai celestial sabe que necessitamos de tais coisas (32), não vejo outra conclusão a chegar que entender o real sentido do que a oração deveria significar para todo mundo. E eis talvez a colossal diferença entre o cristianismo e as demais religiões.

Uma oração não precisa de palavras, pedidos, invocações, rogos, juramentos... porque Nosso Pai já conhece todas as nossas motivações e necessidades e não vai ser a expressão da forma (externa ou interna) que vai fazê-lO agir em nosso favor. Ele estabeleceu um compromisso conosco: suprir nossas necessidades, e dele não se desapega. Então, se tudo isso é dispensável, o que é necessário? Vejam bem, todas as formas anteriores que mencionei são comuns a praticamente todas as religiões. Há ritos, cerimônias, liturgias, mantras e regras em todas elas, contudo, há algo que só o cristianismo tem: um relacionamento pessoal com Deus. Por isso a ênfase de Jesus que Deus é Pai, portanto, não uma força, uma energia, um ser distante, um general, ou coisa que o valha, mas sim uma pessoa - o Deus cristão é um Deus pessoal. E não há pais sem filhos, portanto, é numa relação paternal que Jesus quer que nos vejamos como atuantes. Além do mais, Ele é NOSSO Pai, de Jesus, meu e seu, e novamente vemos a relação próxima que Jesus quer que entendamos. Não algo frio e distante que diz respeito a uma assombrosa manifestação celestial, mas uma relação de intimidade entre dois seres.

Assim, seu ensinamento consiste na compreensão de que a Nosso Pai não precisamos pedir, repetir, fazer juras, invocar, sacrificar, ajoelhar-se, agachar-se... Mas sim, que com Ele devemos nos relacionar, apenas isso. Em nenhuma das outras religiões há uma divindade relacional assim. Há, muitas vezes, no máximo, seres celestiais, iluminados, evoluídos, transcendentes, mas com nenhum deles há um convite tão claro e íntimo de relacionamento.

Portanto, atenda ao convite de Jesus: importe-se mais em conhecê-lO e deixar-se conhecer, como é próprio de toda relação amorosa. Ligue menos para suas palavras, seus pedidos ou invocações. Ele já as conhece todas, e deixe-se embalar nos braços desse Pai amigo. Isso é ter um pai. Isso é Cristianismo

Ana Valéria Moraes é teóloga e escritora

Publicado originalmente no Portal O Povo Online