14 de dezembro de 2015

Com adesão menor, movimentos protestam em favor do impedimento

Manifestantes em Brasília (Foto: Valter Campanato)
Mais de 100 cidades no Brasil realizaram atos em favor do impedimento da presidente Dilma Rousseff (PT) ontem (13/12), em atos com adesão marcadamente inferior às dos três protestos anteriores contra a petista. Os protestos deste domingo foram os primeiros desde que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acatou o pedido de impeachment apresentado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal contra Dilma. Foram os primeiros, também, no qual o PSDB fechou questão a favor da remoção da presidente. 

Se as forças políticas anti-Dilma se uniram, as ruas se dispersaram. As manifestações registraram participação menor do que os protestos de agosto, nos quais centenas de milhares de pessoas foram às ruas contra o governo federal.

Em São Paulo, a Polícia Militar estimou em 30 mil a quantidade de manifestantes que se reuniram na Avenida Paulista, no centro da capital. O Instituto Datafolha estimou em 40,3 mil o número de manifestantes, uma dimensão bem menor que a dos protestos de 16 de agosto. Naquele dia, a organização estimou a participação de 1 milhão de pessoas, enquanto a PM divulgou o número de 350 mil e o Instituto Datafolha apontou 135 mil manifestantes.

No Rio de Janeiro, apenas 5 mil se reuniram na orla de Copacabana neste domingo. Em agosto, a PM não divulgou uma estimativa da dimensão da manifestação. Em Brasilia, cerca de 5 mil pessoas protestaram em frente ao Congresso Nacional, segundo a PM. Em agosto, foram 25 mil.

Neste domingo, aproximadamente 7 mil pessoas estiveram na manifestação no Recife, segundo estimativas da PM e dos organizadores. Em Belo Horizonte, a polícia estima em 3 mil o número de participantes, enquanto os organizadores falam em 6 mil.

Os protestos convocados por grupos como o Vem Pra Rua e Movimento Brasil Livre ocorreram no aniversário de 47 anos da implementação do Ato Institucional nº 5 (AI-5) pela ditadura, que deu plenos poderes ao então presidente-marechal Artur da Costa e Silva, além de permitir o fechamento do Congresso, institucionalizar a censura prévia e suspender habeas corpus em casos de crimes políticos.
 
Manifestantes em São Paulo (Foto: Rosa Ravena) 
Na Avenida Paulista, os manifestantes utilizaram diversos carros de som ao longo da via, que, aos domingos, tem o tráfego de veículos interrompido. Muitos participantes do ato vestiam camisas amarelas, com adereços e pinturas de rosto com as cores da bandeira  brasileira.

A participação popular foi bem menor do que em atos anteriores contra o governo federal. O líder do Movimento Vem Pra Rua, um dos organizadores do protesto, Rogério Chequer, admitiu que a manifestação de hoje deve ser menor do que outras ocorridas ao longo deste ano. “Houve muito pouco tempo de divulgação. É normal que um movimento com menos tempo de divulgação tenha menos gente. Não nos surpreende”, disse.

Segundo Chequer,  a mobilização é importante para pressionar os parlamentares. “É preciso que esses deputados, já a partir de agora, se posicionem e mostrem a sua posição com relação ao impeachment.”

Além dos grupos que pediam a destituição de Dilma, aproveitaram a mobilização militantes da campanha pela redução de impostos promovida pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e partidários da volta do regime militar.
 
Manifestantes no Rio (Foto: Tania Rego) 
No Rio, os manifestantes pediam na Praia de Copacabana a saída de Dilma Rousseff e a convocação de novas eleições. Também havia um número grande  de pessoas defendendo a saída do vice-presidente Michel Temer e de Cunha.

Em Brasília, o ato fechou as vias da Esplanada dos Ministérios e reuniu de 5 mil a 6 mil pessoas, de acordo com a PM, e 30 mil, segundo os organizadores. Os manifestantes seguiram do museu da República até o Congresso Nacional, com faixas contrárias à política fiscal e também a favor da cassação de Cunha.

Os organizadores da marcha anti-Dilma se mostraram descontentes com a baixa participação popular na capital federal.

Havia ainda bonecos infláveis do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta Dilma, representada com um nariz do personagem Pinóquio. Os protestos se concentraram em dois locais: Museu da República e em frente ao Congresso.

Com informações Agência Brasil