18 de dezembro de 2015

"O inexplicável preconceito contra Cuba" por José Airton Cirilo

Centro de Havana uma das imagens mais divulgadas de Cuba (autor desconhecido)
Com o advento das redes sociais, ficou mais fácil compartilhar informações e opiniões. Mas também está difícil saber se a informação é verdadeira; ou se a opinião não está eivada de preconceito e más intenções. Esse é o caso do grito símbolo da direita brasileira: “vai pra Cuba!” 

Com a frase, querem erguer um muro imaginário entre o bem e o mal? Os “revoltados” usam a frase como crítica às práticas do Governo brasileiro, que mantém proximidade com os irmãos da Ilha. Mas que mal há em ser a favor do povo cubano? Ou apoiar ações e fazer parcerias com os governantes de lá? Ou até movimentar a
balança comercial Brasil-Cuba? Ou contratar profissionais vindos da Ilha?

Se até o papa Francisco, responsável por negociar o fim do embargo comercial (que durava mais de meio século) imposto pelos Estados Unidos, foi para Cuba em setembro passado, por que nós, cristãos, que pregamos a paz e a tolerância, deveríamos nos afastar de Cuba?

Está bem, você não vê como misturar crença e posições políticas. Considera Cuba um país totalitário e teme que seu “poderoso” exército nos invada, implantando uma “ditadura do proletariado” no Brasil do século XXI? Eu entendo você. Vou respeitar inclusive sua ideia estapafúrdia.

Mas, se sua contrariedade se dá pelo modelo econômico, vou atualizar seus conhecimentos: em 30 de outubro de 2015 (faz pouco tempo, hein?), a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), legítima representante da livre iniciativa no Brasil organizou o seminário: “Oportunidades de negócios e investimentos em Cuba”. Quem ajudou a Fiec? A embaixada da República de Cuba.

A crítica (desinformada e superficial) se baseia no espectro ideológico, pois Cuba é uma sociedade com valores socialistas. Um bom exemplo é o programa Mais Médicos, do Governo Federal, o qual trouxe mais de 11 mil médicos cubanos para praticar uma medicina comunitária, com médicos para as famílias e comunidades carentes. Algo impensável para médicos que vivem numa sociedade capitalista, em cujo cerne está o desejo em ter coisas – como é o caso da sociedade brasileira.

Publicada originalmente no portal O Povo Online