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| Elmano de Freitas e Ciro Gomes participaram do debate do O POVO (Foto: Fernanda Barros) |
Diferentemente de confrontos anteriores, quando críticas e acusações contra aliados esquentaram o clima entre os adversários, as principais pautas do debate rondaram as ideias de cada candidato em relação a temas como projetos para juventude, escolas em tempo integral, descentralização da rede de atendimento de saúde pública e estratégias contra o feminicídio.
Em rodada de perguntas diretas, Elmano de Freitas questionou Ciro Gomes sobre projetos do ex-ministro para a juventude cearense.
O petista mencionou a ideia de Ciro para incentivar as comunidades a denunciarem anonimamente ações de facções criminosas. Segundo Elmano, a proposta "transforma os jovens em informantes", afirmando que a solução os levaria a virarem alvos das facções.
Ciro classificou a crítica como provocação e "lambança política". "Quase um terço dos jovens cearenses não têm oportunidade nem de estudar, nem de trabalhar, 12 anos depois de vocês estarem mandando e desmandando no Estado do Ceará", afirmou.
Em outro ponto, o petista criticou a proposta do tucano de realizar um mutirão para construção de habitações. Em resposta, Ciro questionou a forma como os números são contabilizados pelo governo estadual. “Uma coisa é você dizer que fez 70 mil casas, outra coisa é toda casa, todo apartamento que foi financiado pela Caixa Econômica ou por um banco privado, ele bota na conta de uma política habitacional dele”, afirmou.
As ausências de pontos explorados nas duas campanhas desde o início do pleito também definiram o tom do debate. Pela primeira vez nos confrontos destas eleições, o ex-prefeito de Choró, Bebeto Queiroz, foragido desde dezembro de 2024, não foi mencionado pelos adversários.
As questões envolvendo Bebeto do Choró têm sido constantemente invocadas por Ciro para atacar Elmano e aliados, mais especificamente o senador Camilo Santana (PT), filho de Eudoro Santana, presidente do PSB no Ceará.
Fortemente discutida no pleito estadual, a pauta da segurança pública teve um pequeno espaço nos questionamentos e argumentos dos candidatos, sendo mencionada apenas na discussão sobre cooptação da juventude por facções.
Levando o cenário nacional para o Ceará, os dois candidatos protagonizaram discussões sobre alianças de cada candidatura, apostando em referências diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No debate, Elmano citou a articulação com Lula e prefeitos cearenses e afirmou que o Estado vem subsidiando a entrada para famílias que acessam programas habitacionais. “Bolsonarismo não faz casa. O candidato bolsonarismo quer que você vá lá trabalhar para fazer a sua casa”, disparou.
Em resposta, Ciro transferiu a discussão à gestão do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União Brasil), candidato a vice-governador na chapa de Ciro. Segundo ele, RC teria sido o prefeito que mais produziu moradias populares pelo 'Minha Casa, Minha Vida', inclusive com redução de custos a partir da utilização de terrenos e infraestrutura municipais.
Em outro ponto, Elmano questionado sobre a segurança hídrica do Estado, diante do fenômeno El Niño. Como resposta, o gestor citou o Cinturão das Águas e alfineitou o adversário. "O bolsonarismo e o Bolsonaro não colocaram nenhum dinheiro. Aqueles que apoiam o meu adversário", disse.
Foi questionado ao candidato do PT qual o plano de governo, diante de secas severas causadas por eventos como o El Niño, para o agronegócio e abastecimento da população.
Elmano destacou que é "muito importante o planejamento" e disse que, quando assumiu como governador, realizou solicitação ao presidente a duplicação do Eixão das Águas, "que nós vamos concluir este ano", afirmou.
"Da mesma maneira, vamos iniciar a nossa usina de dessalinização aqui em Fortaleza, que nós resolvemos todos os problemas burocráticos para então agora ser iniciada a obra. 700 mil pessoas poderão ser beneficiadas com a usina de dessalinização", projetou Elmano.
O petista completou a resposta e aproveitou para alfinetar Ciro mais uma vez: "Portanto, é uma infraestrutura hídrica sendo feita, planejada antes do El Niño, porque o outro candidato se gaba muito do Canal do Trabalhador, mas ele teve uma seca em 1992, uma em 1993, aí que ele foi fazer o canal. Eu não espero a seca, eu planejo e faço antes".
Ao comentar a resposta do governador, Ciro rebateu: "Eu não vou aceitar provocações, mas mentira é um negócio que tem perna curta. Eu fiz o açude Plinio Pompeu, que é chamado de açude Pacajus, antes de fazer o Canal do Trabalhador. O problema é que três anos de seca, o açude não pegou água. Essa pergunta é crítica", disse.
Ele
completou: "Nós hoje temos um sistema que foi pensado lá atrás. Nos custou
um imenso sacrifício construir o Castanhão, construir o projeto de transposição
do São Francisco, fazer as conexões e fazer essa água circular, inclusive ir
para a Região Metropolitana de Fortaleza e para o Porto do Pecém",
lembrou.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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