25 de setembro de 2026

Jornal O Povo realizada Debate ao Senado

Debate entre as chapas ao Senado foi sediado no prédio da OAB-Ceará (Foto: Fernanda Barros)

Os candidatos ao Senado Federal com mais expressividade nas pesquisas eleitorais do Ceará se enfrentaram pela primeira vez, em reta final de campanha, no debate promovido pelo Grupo de Comunicação O POVO, nesta quinta-feira, 24. Os candidatos Alcides Fernandes (PL), Capitão Wagner (União Brasil), Cid Gomes (PSB), Luizianne Lins (Rede) enfrentaram momentos de tensão em temas como alianças políticas no Estado e polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

O encontro sediado no prédio da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE) se configurou em dois blocos de perguntas e respostas, com embates diretos e temas livres. A dinâmica permitiu que os candidatos da chapa do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) e do governador Elmano de Freitas (PT) pudessem fazer perguntas e responder.

O confronto entre os integrantes da base e da oposição cearense concentrou grande número de ataques de ambos os lados, com poucas propostas relacionadas a um possível mandato na Câmara Alta.

Logo no primeiro bloco a ex-prefeita e deputada Luizianne indagou o deputado Alcides sobre a gestão de Bolsonaro no ano da pandemia da Covid-19. Ao longo da ocasião, Luizianne também questionou Wagner e Alcides em relação as obras e ações da gestão do ex-presidente para o Estado do Ceará, alegando falta de entregas efetivas.

Em resposta, Alcides evitou adentrar na temática, mas se apresentou como "bolsonarista vacinado". "Um bolsonarista vacinado é uma coisa meio rara", retrucou a deputada. Mudando de assunto, ele introduziu o tema da pobreza no território cearense e a participação de Luizianne em flotilha com destino à Palestina em 2025, como tentativa de "lacrar" nas redes sociais.

Continuando as dinâmica, Alcides subiu o tom e direcionou-se a Cid, chamando-o de "traíra" por não apoiar o próprio irmão no pleito deste ano, o tucano Ciro Gomes. Senador e candidato à reeleição, Cid também foi acusado na sua relação política com o deputado federal e primeiro suplente pessebista Júnior Mano (PSB), que aparece em investigação da Polícia Federal (PF).

"O senhor se tornou, ultimamente, um advogado de bandido. O senhor é um traíra. Ao invés de estar ao lado do seu irmão, que é um homem justo e honesto", disse Alcides. Parlamentar aproveitou o momento para relembrar que, hoje aliado de Lula, Cid era um crítico do petista no passado.

Cid, por sua vez, rebateu, evitando atacar Ciro: "Não tenho um 'a' para dizer do meu irmão e jamais vou falar, mas estou do lado de quem tem feito o Ceará avançar". O pessebista, em outro momento, também apontou incoerência na aliança entre Alcides e Wagner com Ciro, trazendo a mesma tese de serem, anteriormente, de alas oponentes na política.

Ainda rebatendo os adversários, Cid respondeu sobre o ex-prefeito foragido e ex-filiado do PSB, Bebeto do Choró, após cobranças de Wagner: "Eu nunca disse que Bebeto do Choró era inocente", alegando sobre o gestor ter sido afastado do partido.

Presidente da Federação União Brasil no Ceará, Wagner foi cobrado pelo pessebista tanto pela relação com a família do prefeito Oscar Rodrigues (União Brasil), em Sobral, quanto pela sua posição nacional sobre Flávio Bolsonaro (PL).

O candidato do União Brasil afirmou que votará em Flávio para presidente "sem dificuldade" e criticou Cid por falas recentes que, segundo ele, o senador atacava Ciro e até os próprios "aliados", mencionando o senador Camilo Santana (PT).

Mesmo evitando adentrar no âmbito nacional, Wagner perguntou em sequência a Luizianne sobre o posicionamento contrário da ex-deputada sobre a classificação de facções criminosas como terroristas. A deputada federal considerou que "não cabe" aos Estados Unidos classificar qualquer coisa no Brasil e defendeu a soberania do País, criticando também o presidente dos EUA, Donald Trump.

No último bloco, a tensão entre aliados de Lula e Bolsonaro continuou na temática sobre a "paternidade" da obra da Transnordestina. Alcides não respondeu sobre o tema, mas fez duras críticas ao senador e afirmou que Cid "desprezou o irmão para abraçar esse povo do atraso". Já Cid acusou Flávio de estar envolvido em todos os esquemas de corrupção que estão na mídia.

O conflito ainda foi marcado por acusações de Alcides a candidata da Rede, que, conforme ele, enviava emendas parlamentares, enquanto deputada federal, para outros estados brasileiros, citando que no Ceará há "muita gente passando fome". Ainda na pergunta, Alcides ressaltou que Luizianne "já se libertou do PT" e, por isso, "deu um bom passo".

Luizianne, então, insistiu nos questionamentos sobre as obras: "O senhor disse que não vai citar as inúmeras obras, eu queria só uma [...]. Eu queria que o senhor citasse uma grande obra feita pelo governo Bolsonaro aqui no Estado do Ceará. Sabe por que, senhor Fernandes? Porque a gente está cansado dessa brincadeira de bolsonarismo no Brasil. Isso foi um inferno na vida dos brasileiros".

O debate antecedeu o confronto entre Ciro Gomes e Elmano de Freitas na quarta-feira, 24, em que, diferentemente de confrontos anteriores, com maiores trocas de ataques, as principais pautas do debate rondaram as ideias de cada candidato em relação a temas como juventude, escolas em tempo integral, descentralização da rede de atendimento de saúde pública e estratégias contra o feminicídio.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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