13 de outubro de 2026

A disputa pelo eleitorado de Ciro Gomes no segundo turno

Ciro segue calado sobre a eleição presidencial (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A ida de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da disputa presidencial abriu uma corrida pelos votos de Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Na eleição para o governo, O tucano obteve 2.498.891 dos sufrágios, o que equivale a 46%, ante 2.875.573 de votos de Elmano de Freitas (PT) — ou 53%.

Desde o encerramento do pleito estadual no domingo, 4, com vitória do petista no Estado, lideranças governistas e de oposição foram a campo para tentar capturar parte do espólio cirista. Ainda na segunda, 5, o deputado federal André Fernandes (PL), mais votado na bancada cearense, divulgou vídeo nas redes no qual pede ao eleitorado do aliado que opte por Flávio na sucessão de Lula.

Dias depois, durante agenda de campanha no bairro Conjunto Ceará, onde Ciro deu pontapé de suas atividades em 2026, Fernandes voltou a se dirigir aos apoiadores do ex-ministro.

“Você que votou no Ciro e não votou no Flávio, deixa eu dizer: está na hora de dar o troco”, discursou o parlamentar. Em seguida, o dirigente do PL sugeriu que os eleitores de oposição “conversem com essas pessoas”, já que, segundo Fernandes, “votar nulo é a mesma coisa de eleger o Lula”. Na sequência, convidou: “Vamos ajudar a eleger Flávio”.

Mas não é apenas o deputado do PL que está à caça dos votos do ex-presidenciável. Em entrevista à rádio O POVO CBN na semana passada, Elmano avaliou que uma parcela do “eleitorado que votou no Ciro não é bolsonarista, votou porque admira o Ciro”. Para o governador reeleito, trata-se de uma fatia importante que votou no seu adversário e “que pode votar no Lula”.

"O Ciro tem uma história no campo democrático, tem uma história no campo progressista e resolveu fazer uma aliança que para mim é a negação da história dele. Mas ele tem essa história e nós temos de reconhecer", avaliou.

Ele ainda fez alusão ao chamado voto "Cirula", como ficou conhecido. "Afinal, eu vi algumas lideranças da campanha do Ciro fazendo campanha para Luça e para Ciro. Eu espero que essa franja toda possa vir para a campanha do Lula".

Na conversa, Elmano também se perguntou sobre quem o próprio Ciro e o ex-prefeito Roberto Cláudio (União Brasil), vice na chapa que postulou o Executivo, iriam endossar no segundo turno, se Flávio Bolsonaro ou Lula.

“Qual é o candidato que Ciro vai apoiar? Qual é o candidato do Roberto Cláudio para presidente da República? Acho que isso tem que estar muito claro pra gente saber quem está do lado da democracia. Isso é parte da explicação da derrota que ele sofreu”, cutucou o gestor.

Durante a campanha, Ciro foi continuamente questionado sobre quem defendia para presidente. Como resposta, dizia ora que não havia definido nome, ora que tinha simpatia por Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), ambos presidenciáveis, mas que não superaram o patamar dos dois pontos percentuais.

Por outro lado, a estratégia eleitoral de Elmano foi estruturada em torno da identificação direta com Lula, tanto nos jingles de propaganda quanto nos debates dos quais o petista participou.

Em ato na Avenida Paulista no último fim de semana, Lula chegou a se referir ao governador como responsável por “enterrar” a carreira de Ciro no Ceará.

No Estado, o chefe do Planalto somou 63% dos votos – um total de 3.555.263. Representante do PL, Flávio Bolsonaro registrou 31% - ou 1.756.850 de votos, isto é, 742.041 a menos do que a adesão conseguida por Ciro.

Logo, há uma larga faixa do eleitorado que votou no social-democrata para governador, mas não em Flávio – ou que fez o caminho contrário, foi de Ciro, mas não de Lula.

Daí que, para os dois polos do confronto, esse contingente local seja crucial para elevar a base tanto do petista quanto do bolsonarista neste segundo turno cuja vantagem, até aqui, tem sido do senador do PL.

Por enquanto, nem Ciro nem RC se manifestaram sobre a eleição nacional. A única posição do ex-candidato ao Abolição no pleito se deu dois dias após o primeiro turno, mas para questionar a vitória de Elmano e informar que acionaria a justiça a fim de apurar eventuais irregularidades apontadas por ele, entre as quais estariam decisões do STF favoráveis ao petismo na véspera da votação.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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