11 de outubro de 2026

Governistas e oposição do Ceará em campo para atrair votos para Lula e Flávio no 2° turno

Os primeiros movimentos de campanha do segundo turno em Fortaleza (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Os dias que antecederam o primeiro turno no Ceará foram de forte disputa no Ceará. De um lado, o governador Elmano de Freitas (PT) atrelava seu governo à parceria entre o Estado e a gestão federal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Do outro, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) evitava se posicionar sobre a corrida para a Presidência da República, apesar de ter formado aliança com bolsonaristas, como André Fernandes (PL) e Capitão Wagner (União Brasil).

Passado o dia 4 de outubro, quando 53,19% dos eleitores cearenses optaram pela reeleição do atual governador, o jogo mudou, assim como as estratégias do grupo governista e da oposição. O resultado do primeiro turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e Lula mostrou a liderança do bolsonarista, com uma diferença de 2,2 milhões de votos no Brasil.

No Ceará, alinhado ao PT na última década, Flávio teve 31,27% dos votos, um total de 1.756.850 votos. Já Lula recebeu 3.555.263 votos, totalizando 63,29%. Dentre os 184 municípios do Ceará, Morrinhos foi o único em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso desde novembro de 2025 por tentativa de golpe de Estado, terminou na frente.

Apesar da margem de liderança de Lula entre os eleitores cearenses, os principais representantes das campanhas dos dois adversários vêm elaborando e aplicando estratégias no Estado para aumentar seus percentuais.

O senador e ex-governador do Ceará, Camilo Santana (PT), assumiu papel de coordenador da campanha do presidente Lula, conforme informação antecipada pelo colunista João Paulo Biage, do O POVO. Um dia após o 1° turno, Camilo participou de reunião com Lula e aliados para analisar a campanha e a comunicação de programas do governo. Além dele, participaram Elmano, o senador Cid Gomes (PSB), a senadora eleita Luizianne Lins (Rede) e o ministro cearense José Guimarães (PT).

O objetivo do grupo é ampliar a votação do presidente no Nordeste e diminuir as abstenções na região. A expectativa deles é que Lula alcance 70% dos votos válidos no Nordeste, levando mais eleitores às urnas no segundo turno.

Do lado de Flávio Bolsonaro, o Partido Liberal no Ceará tenta atrair Ciro Gomes, principal adversário de Elmano ao governo, para o palanque no segundo turno. Segundo a coluna do jornalista do O POVO Guilherme Gonsalves, Flávio Bolsonaro entrou em contato diretamente com Ciro após o primeiro turno, acenando o apoio com uma oferta de ministério.

Na terça-feira, 6, o tucano veio a público pela primeira vez após a derrota no primeiro turno e declarou que não cumprimentaria o governador reeleito, pois, em sua visão, Elmano "não teria vencido as eleições". Ele afirmou ainda que deve ir à Justiça fazer uma reclamação oficial sobre o resultado.

Presidente do PL no Ceará, André Fernandes afirmou, em vídeo nas redes sociais, que os eleitores cearenses que votaram em Ciro e em Lula, usando o manifesto do tucano, devem "dar o troco" e votar em Flávio nas urnas no dia 25 de outubro. "Você não precisa gostar de Flávio Bolsonaro, mas você precisa entender que ele representa a estanca da sangria que está nos matando", disse.

Em outro vídeo, o Fernandes disse que, a partir desta quinta-feira, 8, as agendas de campanha em apoio a o candidato irão se intensificar no Ceará. Segundo ele, "vai ter material de campanha em Fortaleza e, nos dias seguintes, também no Interior aqui do Ceará, material do Flávio Bolsonaro a rodo".

Líder do PL na Assembleia Legislativa do Ceará, Dra. Silvana defendeu ao O POVO que a melhor forma de virar votos no Estado não seria focar na figura de Flávio em si, mas formar uma aliança com lideranças ciristas. "Eu quero o eleitor que votou no Lula e votou no Ciro. Eu quero virar esse voto", disse a deputada estadual.

Adriana Soares Alcantara, doutora e mestra em Políticas Públicas, pesquisadora na área de gênero e política, organização partidária e democracia, avalia que os números do 1º turno levaram o Ceará "para um lugar importante nessa disputa".

Pelo histórico brasileiro, desde 1989 o País nunca teve virada no segundo turno da eleição presidencial, cenário desfavorável para candidatos como Lula, que terminou em segundo lugar no domingo, 4.

Segundo a cientista política, as articulações e acordos com novas e antigas lideranças para o 2º turno são "apostas caras" com impacto direto no futuro governo e nas eleições municipais de 2028.

"A busca por lideranças, novas e velhas, já começou e é hora de firmar acordos com vistas ao segundo turno. Estas estratégias são muito interessantes porque dizem muito sobre o pós-eleição. São apostas caras para as pessoas eleitas, porque trarão consequências para todo o mandato. E não podemos esquecer que em 2028 haverá eleições municipais", disse.

Segundo ela, não há como apontar um candidato favorito, pois a diferença percentual de votos foi pequena e é perfeitamente superável.

"Eu acredito que esses dias que separam os dois turnos de votação serão dias de intensa disputa onde os apoios estão se consolidando. Não dá para apostar em candidatura vencedora, tudo pode acontecer e o percentual de diferença da votação foi pequeno, perfeitamente superável", concluiu.

Partidos se dividem nos apoios a Lula e Flávio no 2º turno

A eleição de 46 deputados estaduais para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), no domingo, 4 de outubro, definiu a composição da Casa para os próximos quatro anos. O PSB elegeu a maior bancada, com 13 parlamentares, seguido pelo PT, com 11, e pelo PL, com seis.

O PSD e o PSDB terão três deputados cada, enquanto Psol, União Brasil e Republicanos elegeram dois representantes cada. MDB, Progressistas, PV e Solidariedade terão uma cadeira cada.

Entre os partidos, são aliados do presidente Lula no Ceará os partidos: PSB, PSD, Psol, PV e MDB.

No discurso na retomada dos trabalhos pós-eleitorais, o presidente Romeu Aldigueri (PSB) destacou que o PSB já vem trabalhando para a campanha de recondução do chefe do Executivo Nacional. O pessebista convocou a presença do Nordeste e daqueles que não foram às urnas.

"Desde ontem, já estamos nas trincheiras, já estamos na luta, e convocamos e convidamos a todos os amigos e amigas, correligionários, a todas as lideranças de bem do Estado do Ceará", sustentou.

Integrante da chapa majoritária de Elmano de Freitas, o PSD Ceará também integra o grupo de siglas aliadas a Lula no Estado. Nacionalmente, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, definiu que o partido manterá a neutralidade, mas Ronaldo Caiado, candidato à Presidência, declarou apoio a Flávio.

Entre os partidos que declararam apoio a Flávio nacionalmente estão Republicanos, Novo, Podemos e federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas. No Ceará, porém, o Republicanos ocupa a base do governo Elmano.

No caso do PSDB de Ciro Gomes, a sigla liberou os filiados do partido para apoiarem quem quiserem no 2° turno. Em nota, a legenda diz ter adotado a medida após constatar que a maioria dos diretórios estaduais está dividida entre posição de neutralidade ou apoio a Flávio, e que uma parcela menor de diretórios manifestou desejo de apoio à candidatura do presidente Lula.

Na consulta do PSDB aos diretórios, o núcleo do Ceará, sob liderança de Ciro, não se manifestou. Durante a campanha do 1° turno, o tucano evitou elevar o embate contra Elmano ao nível presidencial e afirmou ter "se demitido" de assuntos sobre a sucessão nacional.

Aliado de Ciro, o único deputado federal eleito pela União Progressista no Ceará a declarar apoio a Flávio Bolsonaro, Danilo Forte (Progressistas) afirmou que trabalha para ampliar a candidatura do presidenciável no Estado. O parlamentar disse estar tentando convencer Ciro a aderir à candidatura do bolsonarista. "Eu acho importante para a manutenção e a unidade do grupo do campo da oposição, onde estamos hoje", disse Danilo Forte.

O deputado estadual Alcides Fernandes (PL), candidato ao Senado na chapa de Ciro, avaliou que o alinhamento da bancada do PSDB no segundo turno não será uma decisão individual.

"Temos que aguardar um pouco, até a próxima semana, para que a gente possa tomar uma decisão. Acredito que as decisões devem ser tomadas em grupo", disse.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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