31 de julho de 2021

Ceará pode não atingir meta de vacinar adultos até agosto por falta de doses

 

Magda Almeida é secretária-executiva de Vigilância e Regulação da Secretaria da Saúde do Ceará (Foto: Fátima Holanda)

Em quase seis meses de vacinação contra a Covid-19, o Ceará ampliou logística de distribuição e aplicação de doses. Apesar de receber quantidade de vacinas progressivamente maior, remessas têm sido insuficientes e aquém da capacidade de aplicação dos municípios. Por essa razão, conforme Magda Almeida, secretária executiva de Vigilância e Regulação da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), há grandes chances da meta de vacinação dos adultos em agosto não ser atingida.

Considerando o número de pessoas com mais de 18 anos cadastradas no Saúde Digital (4.716.043), 85% já receberam pelo menos a primeira dose ou dose única contra o coronavírus (3.976.729). Dos cadastros realizados na plataforma, 5.060.768 já foram confirmados por email, segundo atualização feita às 22h16min no IntegraSUS. Até terça-feira, 27, eram 344.398 cadastros de adolescentes entre 12 e 18 anos.

Durante Webinar realizado nessa sexta-feira, 30, pela Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag), Magda afirmou que a quantidade de vacinas recebidas é desproporcional ao número da população.

Conforme a secretária, até o momento, o Ceará recebeu vacinas para cobrir 78% da população, ficando em última colocação como unidade federativa do Nordeste que menos recebe imunizantes. Dessa forma, a quantidade de vacinas que o Ministério da Saúde provisiona para o Estado tem sido insuficiente.

"A gente já perguntou e já falou várias vezes. O Ministério Público provocou dias atrás, solicitando resposta oficial do Ministério da Saúde, mas até agora [a resposta] não veio", esclarece a secretária.

O primeiro lote de imunizantes, com 334.900 doses, foi recebido no dia 18 de janeiro, quando teve início a campanha. A menor quantidade de remessas foi recebida em fevereiro (244.700). A partir de então, quantidade de lotes aumenta a cada mês, somando 6,5 milhões de doses.

A campanha de vacinação contra a Covid-19 tem um diferencial em relação a todas as outras já aplicadas no Brasil, aponta Luciano Pamplona, biólogo epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Unichristus.

O novo fator é negativo: a falta de planejamento para a chegada de vacinas. "Os gestores têm dificuldade de se planejar a médio e longo prazo. Nas campanhas de vacinação normal, temos vacinas em todos os postos. Nessa, temos poucas doses e, muitas vezes, não é possível oferecer em pontos de toda a cidade. A logística complica pelo baixo número de doses", aponta. 

Conforme a Sesa, o Ministério da Saúde avisa os Estados sobre previsão de entrega de novos lotes dos imunizantes a cada semana.

Além da quantidade insuficiente para a população, envio de lotes não progride com continuidade. Com isso, municípios acabam interrompendo aplicação por falta de doses.

"Há possibilidade de vacinar todos até agosto. Se tiver vacina, temos estrutura e pessoal suficiente. As remessas estão aumentando, mas ainda estão muito longe do que é preciso. A capacidade de aplicação de vacina ainda é muito maior", frisa Pamplona.

Com informações portal O Povo Online

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