31 de maio de 2018

Concentração de caminhoneiros no Ceará rumo a Brasília

Caminhoneiros na BR-222 em frente á Lagoa do Tabapuá (Foto: Aurélio Alves)
Completados 10 dias da greve, ontem, caminhoneiros começaram a deixar pelo menos três pontos de bloqueios nas rodovias do Ceará rumo a Brasília. Na BR-116, a categoria que ocupava trechos desde a semana passada, dispersou em São Cristóvão, na altura do km 15, em Chorozinho, e também em Boqueirão do Cesário, distrito de Beberibe. 

Conforme um caminhoneiro que estava paralisado em Chorozinho, ouvido pelo jornal O POVO, a dispersão se deu por volta das 14 horas, após circulação pelo Whatsapp de vídeo de Wallace Landim, o Chorão, representante dos motoristas autônomos do Centro Oeste e filiado ao Podemos de São Paulo. No vídeo, Chorão diz que não foi recebido pelo Governo Federal em Brasília, e pede que os caminhoneiros descarreguem as mercadorias e sigam para um protesto em Brasília, para “forçar o governo a ter um diálogo”.

“Mas como a gente vai para Brasília? Eu, pelo menos, não tenho condições”, conta o caminhoneiro, natural de São Paulo. De acordo com o ele, no trecho de Chorozinho, que chegou a ter 1 mil caminhões parados, o movimento acatou as recomendações de Chorão. Ele acredita que quem tiver condições financeiras poderá engrossar a manifestação proposta pela liderança na capital federal. No vídeo, Chorão estima que participem 50 mil caminhoneiros.

“A gente acredita que desses 1 mil, tinha uns 400 que estavam parados contra a vontade. Quando começou a circular o vídeo, esse pessoal já foi ligando os caminhões e indo, e a Polícia (Rodoviária Federal) falando que estava tudo desfeito”, relatou o carreteiro que trabalha para uma transportadora. Ele disse ter sido encorajado pelo patrão a estar nas manifestações. A prática se chama locaute e é considerada uma “greve dos empregadores”, que impede os seus empregados, total ou parcialmente, de laborar com o objetivo de desestabilizar as postulações trabalhistas.

Também por volta de 14 horas, a comerciante Dolores Bento, 52, no distrito de Cristais, em Ocara, observou a dispersão dos caminhões que estavam em Boqueirão do Cesário, distante 21 quilômetros de onde mora. “Fazia mais de semana que não passava caminhão nenhum aqui. Quando deu 14 horas, era um mundo de caminhão passando. Depois chegou a notícia que eles se abandonaram lá no Boqueirão”, conta.

Ainda resistindo, cerca de 300 caminhoneiros permaneciam no começo da noite de ontem no quilômetro 18 da BR-116, em Eusébio. No ápice da greve, o local chegou a reunir 1,2 mil manifestantes. Para o filho de caminhoneiro Valberlan Colares, o movimento perdeu força devido a “traições”. “Todo grupo tem seu Judas, e nós fomos traídos por alguns colegas. O Chorão e outros se prontificaram em ajudar, mas eles estavam era querendo prejudicar. A greve só abriu porque o Chorão botou na internet que a guerra tava perdida. E a classe revoltada e triste abriu”, disse.

No local, manifestantes e agentes da PRF estavam em impasse. De acordo com agente, que não quis ser identificado, o acordado era que os caminhoneiros que expressassem a vontade de deixar o bloqueio deveriam ser liberados. Já para os caminhoneiros, a ação de ordenamento da PRF foi definida como “aterrorizante”.

Porém, no mais tardar da noite, às 21h30min, no mesmo KM 18 da BR-116, no Eusébio, a manifestação tomou mais um fôlego e, aos gritos de “Fora, Temer!”, manifestantes fecharam os dois sentidos da rodovia, deixando o trânsito bastante lento. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) tentava negociar liberação da via.

No início da manhã, a BR-222, no km 6, manifestantes ocupavam três faixas da via. Em cada um dos sentidos, uma faixa era deixada livre para passagem de carros pequenos, cargas vivas, caminhões com oxigênio e produtos hospitalares. De acordo com um caminhoneiro que preferiu não de identificar, as “lideranças do movimento” pretendem encerrar a greve às 8 horas de hoje.

Com informações portal O Povo Online